sexta-feira, 25 de março de 2011

21- ATÉ A PRESIDENTE DILMA USA O iPAD, PRINCIPALMENTE PARA LER.

Deu o que a gente já sabia. Mas tem gente que só acredita quando tem uma pesquisa comprovando. Estudo feita pela Reynolds Journalism Institute, dos EUA, (feito em dezembro de 2010 com usuários de iPad) mostrou que a maioria das pessoas usa o tablet principalmente para se informar. O que significa ler jornais todo dia, revistas, fotos e filmes que vêm com eles. Nada mais natural.

A maioria dos usuários pesquisados são homens, com alto grau de instrução e idade entre 35 e 64 anos. Mais velhos do que eu imaginava e mais velhos do mostram as filas enormes de compradores entusiasmados de iPad. Um bom perfil para buscar publicidade. Pois 85% deles dizem que passam, pelo menos, 30 minutos diários lendo notícias no tablet. Já 49% admitem que passam mais de 1 hora por dia.

Aí estão os números que mostram o que a gente já sabia. Porque a grande virtude do tablet é ser um ótimo leitor: de jornais, revistas, livros, filmes. E ele já se paga por isso. Quem nunca experimentou uma tela destas na mão não pode imaginar como é prático e gostoso. Uma experiência completamente diferente de ler um jornal na tela do desktop ou do notebook. Isso sem nem falar nas possibilidades de interação que o aparelhinho nos traz.

Outra coisa importante que eles falaram: mais da metade de usuários de iPad pesquisados, que também são assinantes de jornais impressos, falam de sua intenção de cancelar a assinatura do jornal de papel. Claro, o iPad dá muito mais opções –você não precisa escolher um jornal para levar para casa. Você pode ler todos que quiser, de qualquer parte do mundo. Por enquanto, quase todos de graça. Então você  passa mais tempo na telinha, lendo muito mais do que na época que assinava apenas um jornal local.

Aqui no Brasil, com certeza é a mesma coisa. Eu estou na faixa etária dos pesquisados e na categoria dos que passam mais de 1 hora por dia lendo jornais: Folha e Estadão quase sempre, às vezes O Globo e o 247 (sugiro para eles escrever 24.7, assim com um ponto, para a gente entender direto que é 24 horas, 7 dias por semana), feito especialmente para iPad. E também o G1, um bom formato com notícias escritas e vídeos dos principais jornais da Globo TV.

Dou uma olhada no NYT (adoro a seção de fotos deles, porque ninguém faz isso no Brasil? São reportagens fotográficas com legendas, nem sempre de assuntos que dão manchete, mas que estão ali porque as fotos são bonitas e grandes), no Le Monde, na BBC (olhava o Times mas eles já começaram a cobrar). Um giro global quando tenho tempo. Se não dá, se tenho que escolher um, vou de Folha –que tem o formato mais rápido e prático.

E chegamos a um ponto importante para os jornais brasileiros: o formato digital é importante para completar essa experiência prazerosa. Os grandes jornais do mundo inteiro adotam o formato Folha (NYT, WSJ, Le Monde, etc). Você baixa rapidamente o índice, com os títulos das matérias. E as matérias só vão sendo baixadas (também rapidamente) quando você clica no titulo do que quer ler. Simples e rápido.

Existe um outro formato usado pelas revistas: você baixa a edição inteira (demora tipo 8 minutos ou mais) para depois ler quando quiser, sem precisar estar online. Tudo bem para revistas semanais (você faz isso só uma vez por semana) ou mensais. Mas tem muito jornal usando este formato no dia a dia.

Lembro de quando o pessoal reclamava que o iPad estava demorando para chegar ao Brasil e alguém publicou que a Apple achava a banda larga brasileira tão ruim que ia desacreditar o produto deles. Não sei se isso era verdade, mas tem razão de ser. Comprei meu iPad nos EUA e usei uma semana lá, antes de voltar para o Brasil. E a diferença é brutal. Tanto no WiFi como em 3G, as coisas baixam lá, no iPad, instantaneamente. Depois cheguei aqui e percebi uma grande diferença –nossas ditas bandas largas não são consideradas realmente largas pelos padrões internacionais -e ainda custam muito mais caro que as bandas largas de verdade.

Os responsáveis pela tecnologia dos grandes jornais brasileiros deviam levar isso em conta. Gosto do Estadão, mas leva 3 a 4 vezes mais tempo para ler. O formato de baixar a foto do jornal de papel é demorado e cai várias vezes enquanto você tenta ler. Aí demora mais tempo ainda para começar tudo de novo.

O formato do 24.7 é de revista (baixa toda a edição), mas ele é uma revista mesmo. Não é um jornal, se a gente definir jornal como um veículo que você lê e está com todas as informações do dia. (Não é isso, mas está começando, quem sabe chega lá. Ou quem sabe resolveram mesmo ser uma revista diária, com temas escolhidos.) O Globo tem um formato demorado de baixar, enquanto o G1 já tem um formato gostoso –e são da mesma empresa.

Acho bom eles pesquisarem melhor o formato que o usuários gostam, porque o que acontece hoje nos EUA, com milhões de iPads vendidos, vai acontecer aqui. Por enquanto nós, usuários de tablets, somos poucos. Mas a tendência é crescer muito o número dos leitores de jornais eletrônicos. A própria Presidenta Dilma declarou que já é leitora de iPad. Não falou o jornal que prefere, mas que lê livros que compra da Amazon –que vende livros digitais mais barato que a Cultura e a Saraiva no Brasil.



domingo, 20 de março de 2011

20- FICÇÃO, PREVISÃO, PROGNÓSTICO, OU REALIDADE PRÓXIMA?

Lembra das grandes lojas de disco (e depois CD) tipo FNAC e Tower Records, onde você passava horas ouvindo e pesquisando músicas? Acabaram. Agora as pessoas compram música nos iTunes da vida e baixam direto no iPod, iPad ou celular. Ouvem onde quiserem e não precisam mais de espaço para guardar os CDs em casa. Olha quanta gente usando fone de ouvido nas ruas, no metrô, nos carros.

Lembra do Blockbuster? Acabou. Agora as pessoas alugam filmes na Netflix, baixam no seu iPad ou notebook, para ver quando quiserem, onde quiserem (até na tela grande de sua TV), sem a tirania dos horários das TVs a cabo. Veja quantas pessoas, dentro do avião, assistindo filmes e séries de TV que carregam mundo afora.

Lembra das grandes livrarias, tipo Barney&Nobles, onde você ficava fuçando e cheirando livros? Acabaram. Agora as pessoas compram seus livros via internet, na Amazon ou mesmo na Barney&Nobles virtual, baixam no seu Kindle (e outros leitores digitais) e carregam sua biblioteca para baixo e para cima dentro da bolsa. Veja as pessoas na sala de espera do aeroporto com seu  kindle ou iPad ligados.

Lembra da banca de jornais e revistas da esquina? Acabou. Agora as pessoas baixam num clique seus jornais e revistas, do mundo inteiro, no tablet -e carregam sua banca particular para todo lado, para lerem até no banheiro.

Você acha que este futuro está muito longe? Então veja fatos e números de 2010, alguns  saindo agora, que mostram esta mudança radical: a Amazon vendeu mais ebooks (livros digitais) que livros de papel; várias escolas por todo o mundo adotaram o iPad para substituir os livros escolares, de papel; a maioria dos americanos disse que se informa mais online do que pelos jornais tradicionais, de papel; pela primeira vez as verbas para propaganda na internet foram maiores do que a verba para a mídia impressa; todos os grandes jornais e revistas do mundo (que já estavam na internet) agora têm sua versão para iPad (que tem 83% do mercado de tablets).

E, ainda, por último: você está lendo esse texto online e não num jornal de papel. Viu como você também já começou a mudar?


quarta-feira, 16 de março de 2011

19- REDES SOCIAIS: O SEU JORNALISMO PESSOAL, CADA VEZ MAIS IMPORTANTE.

É a notícia do que aconteceu com uma pessoa contra a notícia do que aconteceu com todos. É a rede social completando o que a TV e a imprensa mostraram. Veja no Japão: na TV e nos jornais você vê o grande evento –o terremoto e o, ainda mais assustador, tsunami. Um espetáculo de imagens lindas e aterrorizantes.

Mas tem o Paulo, seu amigo, que está lá. E aí entram as tecnologias (twitter, facebook, skype) que vão dar uma mãozinha. -Alguém viu o Paulo depois do Tsunami? Dá para falar com ele?

Você entra no facebook todo dia e vê, minuto a minuto, o que acontece com seus amigos, com seus filhos, com seus parentes. Com pessoas que moram ali, no bairro ao lado, mas que não dá tempo de ver toda hora, ou pessoas que moram do outro lado do mundo. Tanto faz. Aqui todo mundo fica pertinho.

Aqui você fica sabendo tudo que acontece com estas pessoas, através de várias pequenas notas diárias, fotos e comentários que não interessam para o mundo, mas interessam sim (e têm até alto valor emocional) para quem participa desse grupo. É o jornalismo pessoal de cada um de nós, mostrando um pouco da nossa intimidade para as pessoas que a gente gosta.

Para que esta convivência simples, que trata de coisas do dia a dia, vire matéria de utilidade pública, basta um fato grande e traumático como o que acontece hoje no Japão. Ou pode, até, ficar mais importante ainda (do ponto de vista da informação), como no caso da Líbia, em que tudo que se vê foi postado por algum jornalista amador –já que a imprensa não entra lá. Aí, as chamadas redes sociais substituem a grande imprensa e passam a informar o mundo. Para desespero dos ditadores.

A primeira vez que ficou bem claro o papel de jornalismo de utilidade pública das redes sociais foi, se não me engano, na revolta da China. O criador do twitter nunca imaginou este papel revolucionário para o comunicador que ele criou para as pessoas falarem entre si. Nem o pessoal do facebook sequer sonhou que o Egito viveria a chamada Revolução do Facebook.

O limite entre uma coisa e outra é que, no seu grupo, você acredita no que seu amigo fala, já que conhece o cara há 20 anos. Mas quando alguém posta uma notícia da Líbia, ninguém conhece quem escreveu ou fotografou. Como acreditar que é de verdade?

Este é o papel da imprensa, profissionais que vivem para nos informar. Já construíram sua imagem de credibilidade e ninguém precisa checar o que eles dizem. Mas, com o desenvolvimento das tecnologias, cada vez mais o não-profissional vai influir nos meios de comunicação profissionais. Não só nos grandes eventos, como agora, mas no dia a dia. Interagindo, acrescentando, dando seu depoimento pessoal, comentando.

Na futura imprensa digital vai ganhar a guerra quem entender bem (e souber usar melhor) o papel que as pessoas em geral podem desempenhar num veículo de comunicação moderno. Já estamos sendo treinados para isso. A gente é que não sabe.


domingo, 13 de março de 2011

18- CHEGOU O iPAD 2. COMEÇOU A FILA DE ESPERA PELO iPAD 3.

Temos que reconhecer que os caras são bons de marketing. O lançamento do iPad 2 teve o mesmo agito, as mesmas filas do lançamento do iPad 1. Com direito, até, de um cara comprar, por US$ 900,00 (imagine só), o primeiro lugar da fila na loja da Apple, ao lado do Central Park, e conseguir seu momento de fama -dando entrevistas para jornais e revistas do mundo inteiro.

A venda online prometia 3 dias para a entrega mas, no fim do dia, mudou o prazo para 3 semanas, por causa do volume. Venderam mais de 600 mil maquininhas no primeiro fim de semana. Quanto tempo vão levar para vender os 15 milhões do primeiro ano do iPad?

Todo esse volume de vendas foi feito só para applemaníacos? Acho que não. Estes números mostram a força com que os tablets (liderados em 83% pelos iPads) chegaram para mudar a nossa vida –e a vida das empresas que mexem com música, filmes, livros, jornais e revistas. Daqui para a frente tudo vai ser diferente.

O simples fato de colocar uma tela na mão das pessoas muda, e muito, a relação que elas têm com a tecnologia. Basta um clique e ali você lê jornais e revistas do mundo inteiro. Leva uma biblioteca inteira na sua bolsa. Carrega filmes ou séries de TV para depois assistir em casa, ou mesmo numa viagem de avião. Carrega toda sua discoteca, se não tiver um iPod. Também pode levar as apresentações do seu negócio -saindo do lazer e informação e entrando com o tablet na sua área de trabalho.

E que os tablets ainda vão mudar e muito, não tenha dúvidas. Cada novo concorrente vai acrescentar uma novidade, para tentar alcançar a Apple neste mercado que cresce mais rápido que todas as maquininhas anteriores. Quem disse que a imagem, um dia, não vai ser projetada em qualquer superfície e você vai comandar as mudanças com gestos no ar? Chegaremos lá, o cinema de ficção já mostrou coisas assim. Apresentações do TED já mostraram protótipos assim.

O iPad 2 não acrescentou mudanças radicais, segundo especialistas do mundo inteiro. Mais leve e mais fino, mais rápido (nem tanto assim, dizem), câmeras na frente e atrás (com baixa resolução). Tanto que a mudança mais comentada foi a nova capa colorida, bonita, que liga e desliga o aparelho conforme você abre ou fecha.

Mas é a velha lógica da tecnologia em ação: sai um novo modelo, a gente se sente ultrapassado, com uma coisa fora de moda na mão. Você ainda tem iPad 1?

O que acho importante, mesmo, é o conceito. Um tablet (seja iPad ou Android) tem esse poder de mudar e facilitar a sua vida. É um ótimo leitor de tudo que é gráfico ou áudio-visual. Leve para carregar, substitui seu labtop com vantagens em, pelo menos, 80% das tarefas.

Quem gosta de ficar na moda, faça fila pelo iPad 2 -ou vá atrás do lançamento de algum novo concorrente. Ou, pensando bem, não é melhor esperar pelo iPad 3? Se o 2 demorou menos de um ano para chegar, o 3 deve chegar bem mais rápido. Afinal, os caras são bons de marketing.



quarta-feira, 2 de março de 2011

17- VEM AÍ O iPAD2, iPAD3, iPAD4.

Hoje é o grande dia que a imprensa está anunciando há vários meses: o lançamento do iPad2. A nova versão do produto mágico que, no ano de lançamento, vendeu mais de 15 milhões de unidades. Todo mundo quer dar, em primeira mão, as novidades que a Apple vai apresentar. Vai ser mais fino, com duas câmeras (na frente, para ligações com imagem, atrás, para fotografar), mais rápido, melhor resolução de tela, tela que não “suja” com os dedos, e por aí vai. E quem já tem iPad já acha que ficou para trás.

Um amigo, desses loucos pela Apple, me escreveu logo que comecei a escrever sobre isso: “Raul, este ainda não é o iPad. Ainda não tem a qualidade de produto e de acabamento que fazem o padrão Apple. Eles lançaram assim mesmo só para ocupar espaço com um novo produto. O iPad2 é que vai ser o verdadeiro iPad”. Pode ser que o Ivo tenha razão.

Como a minha praia não é a tecnologia, não estou muito preocupado com as novidades que vão ser lançadas hoje. Estou, isto sim, é atento às mudanças que estão ocorrendo desde o lançamento do pré-iPad, segundo o Ivo. Como este conceito de tablet atingiu a gente como consumidor, como está mudando nossos hábitos, nossa forma de nos relacionar com a tecnologia. E como este conceito também vai afetar o mundo dos negócios.

Senão, veja: nos jornais de hoje tem meia dúzia de notícias sobre os tablets. Uma mostra como eles estão invadindo as escolas, substituindo livros escolares e trazendo novas possibilidades de ensino via interação com os alunos. Como escrevi num blog anterior.

Noutra mostra os tablets invadindo as empresas, que já são responsáveis por um quarto das compras do produto em todo o mundo, para distribuir para seus funcionários. No Brasil, dizem, empresas representarão muito mais: 30 a 40% do total de 300 mil aparelhos que deverão ser vendidos aqui este ano. Deve ser porque, para variar, os tablets são muito mais caros aqui que nos outros países. Você precisa ser pessoa jurídica para comprar um.

Outra matéria deixa mais claro, para a gente, o tipo de uso que as empresas vão fazer dos tablets. Dá como exemplo um grande laboratório farmacêutico brasileiro que já comprou 1500 iPads para seus representantes de vendas. Eles vão substituir as 50 toneladas de folhetos e catálogos, que imprimem todo ano, para levar aos 400 mil médicos do país suas novidades e suas ofertas. Além do charme, é claro, de apresentarem seus produtos num tablet, que ainda é uma grande novidade tecnológica. Depois, se o médico se interessar pelo conteúdo, recebe uma cópia digital via email. É claro que o tablet também vai servir para fazer relatórios, pesquisar informações, enviar e receber emails, etc. Manter o funcionário permanentemente conectado com a empresa.

Outra matéria fala dos concorrentes do iPad –da Samsung, da RIM (fabricante do Blackberry), da HP, da Motorola e da Asus. Todo mundo querendo uma fatia deste mercado que cresce rapidamente em todo o mundo. E está forçando a queda de vendas dos labtops.

Podia continuar, aqui,  contando muitas histórias sobre os tablets. Por exemplo, ontem vi uma foto na Wired (revista sobre inovação e tecnologia) mostrando uma nova van elétrica da Volkswagen. No lugar do painel da direita, onde fica rádio, computador, etc, um iPad. Veja na foto abaixo.

Mas importante mesmo é analisar o modelo de negócios da Apple, que introduziu o conceito e é campeã de vendas até aqui. Porque ela tem a loja da Apple, umbilicalmente ligada ao tablet. Quer dizer, o iPad é movido a Apps (aplicativos) que fazem as coisas acontecerem. Por exemplo: você quer escrever, tem que comprar um App tipo Word (o Pages), que custa tipo US$ 9,00. Baratinho como software de texto, mas vendendo 15 milhões quanto dá? A Apple fica com 30% de tudo que é vendido ali. Um negócio enorme.

A maioria dos outros tablets usa sistema Android, da Google, que também abriu sua loja de Apps. Não é a Samsung ou a HP que ganham com a venda de Apps para Android (como a Apple) mas a Google –que passa a concorrer com a Apple neste novo mercado. Ela cedeu, gratuitamente, sua tecnologia em alta para os fabricantes de hardware. Mas vai ganhar na venda de software e conteúdo.

A maioria dos analistas tecnológicos acha que o tablet da Apple ainda está na frente. Mas muita gente prefere o sistema Android. Eu acho que a tendência é igualar resultados, partindo da cópia que todo mundo faz do iPad. No futuro os tablets devem ficar parecidos, com poucas diferenças, como acontece com os celulares. E aí o fator preço deve fazer a diferença.

E quem ganha esta guerra? A Apple é a única que tem os dois lados do negócio. Pode fazer como a Gillette sempre fez, vende aparelho barato porque seu negócio é vender gilete. Ou como a Kodak, que vendia câmera barata porque o negócio era vender filme. Onde a Apple ganha mais?

A verdade é que os outros fabricantes (que só ganham com a venda dos aparelhos) não estão conseguindo preços iguais ao da Apple –todos são mais caros. Se eu fosse o Steve Jobs, dava uma tacada de mestre. Depois do iPad2, que leva a Apple mais para cima, lançava uma versão mais simples –e mais barata. E passava todos os outros para trás.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

16- EGITO: INTERNET É O HERÓI. E A TV E A IMPRENSA?

Hoje é o grande dia que a imprensa está anunciando há vários meses: o lançamento do iPad2. A nova versão do produto mágico que, no ano de lançamento, vendeu mais de 15 milhões de unidades. Todo mundo quer dar, em primeira mão, as novidades que a Apple vai apresentar. Vai ser mais fino, com duas câmeras (na frente, para ligações com imagem, atrás, para fotografar), mais rápido, melhor resolução de tela, tela que não “suja” com os dedos, e por aí vai. E quem já tem iPad já acha que ficou para trás.

Um amigo, desses loucos pela Apple, me escreveu logo que comecei a escrever sobre isso: “Raul, este ainda não é o iPad. Ainda não tem a qualidade de produto e de acabamento que fazem o padrão Apple. Eles lançaram assim mesmo só para ocupar espaço com um novo produto. O iPad2 é que vai ser o verdadeiro iPad”. Pode ser que o Ivo tenha razão.

Como a minha praia não é a tecnologia, não estou muito preocupado com as novidades que vão ser lançadas hoje. Estou, isto sim, é atento às mudanças que estão ocorrendo desde o lançamento do pré-iPad, segundo o Ivo. Como este conceito de tablet atingiu a gente como consumidor, como está mudando nossos hábitos, nossa forma de nos relacionar com a tecnologia. E como este conceito também vai afetar o mundo dos negócios.

Senão, veja: nos jornais de hoje tem meia dúzia de notícias sobre os tablets. Uma mostra como eles estão invadindo as escolas, substituindo livros escolares e trazendo novas possibilidades de ensino via interação com os alunos. Como escrevi num blog anterior.

Noutra mostra os tablets invadindo as empresas, que já são responsáveis por um quarto das compras do produto em todo o mundo, para distribuir para seus funcionários. No Brasil, dizem, empresas representarão muito mais: 30 a 40% do total de 300 mil aparelhos que deverão ser vendidos aqui este ano. Deve ser porque, para variar, os tablets são muito mais caros aqui que nos outros países. Você precisa ser pessoa jurídica para comprar um.

Outra matéria deixa mais claro, para a gente, o tipo de uso que as empresas vão fazer dos tablets. Dá como exemplo um grande laboratório farmacêutico brasileiro que já comprou 1500 iPads para seus representantes de vendas. Eles vão substituir as 50 toneladas de folhetos e catálogos, que imprimem todo ano, para levar aos 400 mil médicos do país suas novidades e suas ofertas. Além do charme, é claro, de apresentarem seus produtos num tablet, que ainda é uma grande novidade tecnológica. Depois, se o médico se interessar pelo conteúdo, recebe uma cópia digital via email. É claro que o tablet também vai servir para fazer relatórios, pesquisar informações, enviar e receber emails, etc. Manter o funcionário permanentemente conectado com a empresa.

Outra matéria fala dos concorrentes do iPad –da Samsung, da RIM (fabricante do Blackberry), da HP, da Motorola e da Asus. Todo mundo querendo uma fatia deste mercado que cresce rapidamente em todo o mundo. E está forçando a queda de vendas dos labtops.

Podia continuar, aqui,  contando muitas histórias sobre os tablets. Por exemplo, ontem vi uma foto na Wired (revista sobre inovação e tecnologia) mostrando uma nova van elétrica da Volkswagen. No lugar do painel da direita, onde fica rádio, computador, etc, um iPad. Veja na foto abaixo.

Mas importante mesmo é analisar o modelo de negócios da Apple, que introduziu o conceito e é campeã de vendas até aqui. Porque ela tem a loja da Apple, umbilicalmente ligada ao tablet. Quer dizer, o iPad é movido a Apps (aplicativos) que fazem as coisas acontecerem. Por exemplo: você quer escrever, tem que comprar um App tipo Word (o Pages), que custa tipo US$ 9,00. Baratinho como software de texto, mas vendendo 15 milhões quanto dá? A Apple fica com 30% de tudo que é vendido ali. Um negócio enorme.

A maioria dos outros tablets usa sistema Android, da Google, que também abriu sua loja de Apps. Não é a Samsung ou a HP que ganham com a venda de Apps para Android (como a Apple) mas a Google –que passa a concorrer com a Apple neste novo mercado. Ela cedeu, gratuitamente, sua tecnologia em alta para os fabricantes de hardware. Mas vai ganhar na venda de software e conteúdo.

A maioria dos analistas tecnológicos acha que o tablet da Apple ainda está na frente. Mas muita gente prefere o sistema Android. Eu acho que a tendência é igualar resultados, partindo da cópia que todo mundo faz do iPad. No futuro os tablets devem ficar parecidos, com poucas diferenças, como acontece com os celulares. E aí o fator preço deve fazer a diferença.

E quem ganha esta guerra? A Apple é a única que tem os dois lados do negócio. Pode fazer como a Gillette sempre fez, vende aparelho barato porque seu negócio é vender gilete. Ou como a Kodak, que vendia câmera barata porque o negócio era vender filme. Onde a Apple ganha mais?

A verdade é que os outros fabricantes (que só ganham com a venda dos aparelhos) não estão conseguindo preços iguais ao da Apple –todos são mais caros. Se eu fosse o Steve Jobs, dava uma tacada de mestre. Depois do iPad2, que leva a Apple mais para cima, lançava uma versão mais simples –e mais barata. E passava todos os outros para trás.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

15- EGITO: ESTAMOS FORMANDO NOSSO CONSCIENTE COLETIVO DIGITAL?

As pessoas têm discutido muito o papel da internet na revolução do Egito, em todos os jornais do mundo inteiro. É uma discussão que não acaba nunca porque, no fundo, todo mundo tem razão.

Tem a turma que acha que a internet foi só um meio de comunicação, que revolução se faz é com gente. Com ou sem internet. E eles estão certos.  Afinal, já aconteceram movimentos parecidos sem internet -em 1968, na França, só para dar um exemplo.

Outros dizem que nada teria acontecido sem as redes sociais – que foi onde as pessoas se conheceram e onde começaram a discutir e planejar as ações que depois aconteceram no mundo real. Estes também têm razão. Quem pode afirmar que tudo aquilo aconteceria sem uma forma de contato digital, num país onde era complicado fazer manifestações ou até mesmo se reunir?

A gente não consegue mais imaginar a nossa vida, hoje, sem alguma influência do mundo digital. Mas quero dar outro passo à frente e botar mais lenha nessa fogueira. Mostrar a internet como um agente mais ativo ainda: quem disse que a nossa vida digital não pode influenciar a nossa forma de pensar -e assim influir na nossa vida chamada real?

Então vamos lá.  A internet aproxima as pessoas e seus valores, independente de todas as fronteiras (geográficas, culturais, religiosas, etc). Ali você lê revistas e jornais, livros, vê TVs de todo o mundo, sem censura. Pode visitar museus por toda parte, fazer cursos a distância nas melhores universidades. Participa de grupos de discussão, com amigos de todo o mundo. Resumindo: você vive experiências reais, independentes de tempo e espaço. Você pode estar aqui e lá, ao mesmo tempo. E isso é real, faz parte da sua vida.

De repente sua vida digital  entra em choque com o que a gente considera sua vida real. Como é que fica? Você vive toda essa sensação de liberdade na internet e depois sai na rua e esbarra numa realidade dura e crua. Como é que você se sente? Pelo que parece, no Egito deu 1 X 0 para a liberdade digital.

Vocês não acham que isso é possível? Que estamos formando, na internet, uma espécie de consciência coletiva digital -que está mudando a cabeça das pessoas mundo afora e influindo nos acontecimentos cada vez mais?

Aí está uma boa bola levantada para quem se dedica a estudar estes assuntos a fundo. E uma ótima preocupação para todos os ditadores que teimam em existir, em pleno século das redes sociais.

PUBLICADO TAMBÉM NO ESTADÃO, COMENTANDO BLOG DE PEDRO DÓRIA: http://blogs.estadao.com.br/pedro-doria/2011/02/06/a-revolucao-no-egito-depende-necessariamente-da-internet/#comments

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

14- iPAD: 1001 UTILIDADES.


Saiu na Folha de hoje: iPad vira Manual do Proprietário em novo carro da Hyundai, o Equus, nos EUA. Em vez do manual de papel, um iPad. Fabricante diz que, com o tablet, pode demonstrar melhor a suspensão do carro em uma animação, entre outras coisas.

Não diz ali que ele também pode atualizar algum assunto na hora que quiser, basta fazer um download. Nem que o iPad também serve para ver os mapas do caminho, como um GPS, ou para ver filmes armazenados nele, durante uma viagem. O fabricante ainda pode usar o iPad como forma de se relacionar com o cliente, baixando novas informações o tempo todo. Etc e etc.

Na mesma notícia fala de um Land Rover que chega ao Brasil, em Maio, com dois iPads fixados nas costas dos bancos da frente -para passageiros assistirem seu filme favorito no banco de trás. E por aí vai. Os tablets estão invadindo o seu carro também.

Na App Store já existem várias ótimas revistas da indústria automobilística mundial, como a da Mercedes, que migraram para a mídia digital atrás das vantagens de demonstrar seus carros com todas as possibilidades que o iPad oferece: filmes, animações, fotos com ótima qualidade, distribuição gratuita e mundial, para um público selecionado.

Mas ainda tem gente que não dá o braço a torcer. Na mesma matéria da Folha, ali de cima, dizem que os engenheiros das indústrias americanas responderam à Hyundai com uma piada: “Sabe o que você ganha se comprar um iPad por US$ 60 mil?  Um Hyundai Equus”.

Como já discutimos aqui antes, o tablets vieram para ficar. E para mudar a sua vida, seus hábitos, sua ligação com a tecnologia. E para mudar a vida das empresas também, como vimos no exemplo acima. Vai sempre existir uma nova aplicação para o tablet, em qualquer área de negócio que você pensar.

Isso me fez lembrar de um filme divertido, que saiu logo depois do lançamento do iPad nos EUA, lá por Maio de 2010, e que circulou na internet na época. E que vale para o que estamos falando agora. Se você ainda não viu, dá uma olhada.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

13- QUEM VAI SER O NOSSO MURDOCH: O FRIAS, O MESQUITA, O MARINHO? OU NENHUM DOS ANTERIORES?

Esta semana foi lançado o The Daily, primeiro jornal diário feito especialmente para o iPad. Ainda não dá para baixar o App (aplicativo que dá acesso ao jornal) aqui no Brasil, só nos EUA. Então não deu para ver como ele é, como funciona. Mas o que todo mundo escreveu é que tem cara de revista, é dinâmico (muda a capa e notícias durante o dia), usa as várias possibilidades do meio tablet (filmes, fotos 360, etc), interage com as redes sociais (tipo twitter e facebook). É o mínimo que a gente esperava de um jornal feito para iPad.

Importante é que eles encararam o iPad como uma nova experiência de leitura (mais que leitura) e não ficaram repetindo a cara de jornal ou revista que os periódicos têm no papel. Como continuamos a fazer aqui no Brasil. Saíram do zero, então fizeram o que consideram melhor para o novo meio. É uma ótima experiência, vai valer para o resto do mundo que está em cima do muro, à espera do que vai acontecer daqui para a frente.

Numa coisa eu concordo com Mr. Murdoch, que diz que o iPad é o dispositivo mais inovador dos últimos tempos. O iPad (e o tablet em geral) é uma experiência nova, que muda completamente a relação que as pessoas têm com a tecnologia –e isso é sentido fortemente quando a gente lê jornais, revistas e livros no tablet –e não no labtop. Muda tudo pelo simples fato da gente ter uma tela nas mãos, que leva para qualquer lugar. E por ter um nível de interação que o labtop não tem.

Leio meus jornais no iPad. Todos que eu quiser, de qualquer parte do mundo. Por enquanto tudo grátis. Leio revistas, por enquanto as que estão disponíveis sem cobrar. Ou leio as partes que cada revista deixa para acesso livre. Que já é bastante coisa, não dá para ler tudo que você tem direito. (Não é pãodurismo, é uma experiência pessoal e ao mesmo tempo o fato de não concordar em pagar US$ 4,99 para acessar a Veja ou Época, mesmo custo de quem compra a revista em papel na banca.)

E isso nos leva à parte mais importante da experiência do The Daily, que todo mundo está pagando para ver: o modelo de negócio vai dar certo?

Ele se propõem a ter um jornal diário que se pague (e dê lucro, é claro) metade por anunciantes e metade pelos leitores. Vão começar a cobrar, daqui a 15 dias, US$ 0,99 por semana pelo jornal. O que dá US$ 3,96 por mês, US$ 47,52 por ano. De quantos leitores eles precisam?

Um dólar por semana é um preço que combina com o iPad, onde a maioria dos apps é vendida aos mesmos US$ 0,99. As pessoas que criam estes aplicativos descobriram que é um grande negócio vender barato para vender para milhões. Que é a lógica online. Você não tem custo de materialização (impressão, no caso dos jornais) nem de distribuição. Logo o custo de produção é muito mais barato.

Grátis, o New York Times está sendo lido no iPad por mais de 1,5 milhão de pessoas em todo   o mundo (já que não tem barreiras geográficas). Isso diminuiria muito se ele cobrasse US$ 0,99 por semana das pessoas? Acho que não. Eu, mesmo distante, sem o NYT ser meu primeiro jornal de leitura obrigatória, toparia 0,99 para ter acesso a ele. Ao mesmo tempo que acho absurdo o Estadão cobrar R$ 29,90 por mês pela leitura online de seu jornal. Vamos cair na real, gente.

Acontece é que nossos empresários não acreditam (ou não querem acreditar) nessa mudança que está acontecendo, como o Murdoch. Ele foi o primeiro porque enxergou claramente que o futuro é por aí. E não porque tem dinheiro sobrando, nem porque quer rasgar dinheiro. Fez, isto sim,  é  porque quer ganhar mais dinheiro. Ele é o primeiro e, se fizer bem feito, vai ocupar um espaço que os concorrentes vão demorar um tempão para alcançar, se é que um dia vão alcançar.

É claro que vender informação depende muito do conteúdo. Você compra Folha, Estadão ou O Globo porque eles defendem uma posição parecida com a sua. É como partido político, é como time de futebol. (Eu gostava de ler Carta Capital até que o Mino tirou a carteirinha do PT e a revista ficou repetitiva, só defendendo o Lula e atacando os outros.) Também depende da força da marca que cada empresa já construiu no mercado.

Mas, com estas novas tecnologias, é muito mais barato lançar um jornal ou uma revista. Não precisa do poder das grandes impressoras, das frotas de caminhão para distribuir, das máfias das bancas. (Lembra como as pequenas agências de propaganda se desenvolveram depois da chegada dos computadores gráficos, que eliminaram a necessidade das grandes estruturas?)

Se os nossos grandes empresários da comunicação continuarem empurrando o problema com a barriga, nada impede que grupos de bons jornalistas ocupem este espaço. Como já tentaram fazer na época dos jornais impressos -não deu certo porque não tinham todos estes poderes à disposição, apesar de serem competentes. Quem sabe não dá certo agora,  com a ajuda desta nova tecnologia? Eu dou a maior força para as mudanças, para a evolução das pessoas e dos meios.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

12- iPAD VIRA LIVRO ESCOLAR.

Aconteceu esta semana: uma escola do Tennessee (EUA) decidiu exigir o uso de iPads pelos seus estudantes de 8 a 18 anos, para substituir seu livros didáticos pelos tablets eletrônicos. Tem uma explicação didática -já que as crianças também podem utilizar todas as possibilidades do tablet nas suas aulas. E uma explicação que tem a ver com saúde –alguns alunos chegavam a carregar nas costas, na mochila, quase 20 Kgs de livros didáticos. Ufa, que alívio.

Mas veja como as coisas mudam cada vez mais rápido. Não faz muito tempo, o Nicholas Negroponte, gurú de tecnologia do MIT, fez campanha pelo mundo inteiro para os países distribuírem um notebook por criança. Se lembra do notebook de cem dólares? Esteve no Brasil, falou com o Lula (lembra do Lula?). Pois já virou uma idéia velha. A última da tecnologia vai ser agora um tablet por criança. Para deixar todo mundo conectado.

O tablet é mais leve, mais prático, mais rápido, mais intuitivo, mais prazeroso, oferece mais mobilidade. É tudo de bom na mão de uma criança. Meu neto de 10 anos pegou meu iPad pela primeira vez e saiu navegando como se conhecesse o bicho há 10 anos. Nasceu com ele na mão.

E isto é só o começo. O iPad ainda nem completou um ano de vida: foi lançado em abril de 2010 e já está para sair o iPad2, com várias evoluções.  Também estão saindo dezenas de concorrentes de todas as marcas –com sistema Android ou Windows. Com tanta concorrência, adivinhe o que estas maquininhas estarão fazendo daqui a mais um ou dois anos.

Agora imagine um dia no mundo inteiro. Cada criança com seu tablet, carregando, em menos de 1 quilo, todos os livros que precisa. Sem custo de papel, de impressão, de energia, de distribuição. Em quanto tempo o tablet se paga? Não pode ser uma boa idéia para o nosso governo?

E quantas árvores serão poupadas por não fazer papel, quanta eletricidade não será usada nas impressoras,  quanta gasolina não será usada nos caminhões que distribuem tudo isso, quanto CO2 não será jogado no ar? Dá para fazer as contas?

Você acabou de descobrir quanto o nosso planeta ganha com isso. E esta talvez seja a melhor lição que nós todos  vamos ter com esta nova tecnologia.