sexta-feira, 19 de agosto de 2011

32- MEU COMPUTADOR AGORA É UM IPAD. MEU LABTOP VIROU MÁQUINA DE ESCREVER.

Acredite: um tablet não é um computador sem teclado. É um outro bicho, muito mais evoluído. Uma tela na mão, fácil de usar e carregar para todo lado, e que lê, brincando, tudo que você nem sabia que queria ler. A qualquer hora, em qualquer lugar.

Você lia um jornal todo dia, que comprava na banca da esquina. Com o iPad isso não basta: leio todo dia a FOLHA e o ESTADÃO, se tiver tempo ainda folheio o 247, O GLOBO (principalmente o blog do Noblat), e dou uma passada de olhos no NEW YORK TIMES.

Acho que essa mudança de hábito na leitura de jornais exemplifica muito bem a mudança que os tablets fazem na nossa relação com a tecnologia. É o querer mais, buscar mais, se informar mais. Porque é fácil, rápido, está tudo ali ao alcance de um simples gesto do dedo. E você precisa se controlar para não ficar lendo 20 coisas, uma atrás da outra – como faz nos primeiros dias com o tablet na mão.

(E não estou nem falando dos emails, das redes sociais, dos livros, das fotos com ótima qualidade, dos filmes com imagem fantástica, dos gadgets, dos joguinhos, dos milhares de apps que ficam provocando você todo dia.)

É por isso que as vendas de desktops e notebooks caíram 20% na Europa, no ano passado: os consumidores têm preferido comprar tablets, como o iPad. Os mais atingidos, (segundo pesquisa da Gartner divulgada nesta quarta, 11/08) foram os netbooks (aqueles notebooks pequenos e baratos para viagem) que cairam 53% em relação ao mesmo período do ano passado. A venda de PCs caiu 15,4%.

Uma analista da Gartner disse: “A maioria dos consumidores está contendo gastos em PCs, estendendo os ciclos de vida dos computadores que já têm e comprando outros aparelhos”. Para a empresa, os tablets são responsáveis pela maior parte das vendas – a Apple com 75% do mercado e os aparelhos Android com 20%.

Não deve ser diferente em outros países. Os tablets vieram para mudar o mercado e melhorar a nossa forma de nos relacionarmos com esse mundo digital. Como os europeus da pesquisa, mantenho meu velho labtop (3 anos e meio de uso) em ação – e ele dá conta do recado, já que virou uma máquina de escrever digital, fazendo uma das poucas coisas que ainda ficou mais agradável fazer com ele: escrever textos mais longos.

Se você está pensando em trocar seu labtop ou desktop, pense nessa alternativa. Mantenha seu amigo velho de guerra e se aventure no mundo dos tablets. Aqui tudo é novo, tudo é novidade. E vai ficar melhor ainda.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

31- QUANDO O MUNDO REAL VAI VIRAR DIGITAL?


O mundo digital já está pronto para substituir o mundo real. Isto quer dizer: os jornais e as revistas podiam ser hoje só digitais, os livros também, a locação de filmes podia ser só pela internet, e assim por diante. Mas não é o que acontece, ou vai acontecer tão cedo.
Porque apesar da tecnologia estar pronta para dar esse passo, as empresas ainda não estão. Os modelos de negócios, que até hoje funcionaram tão bem no mundo real, ainda não são seguros quando você passa para o mundo digital.
Veja o mundo dos jornais. A circulação dos exemplares de papel, segundo pesquisa divulgada semana passada, está crescendo no Brasil. E as empresas estão comemorando o resultado –já que ainda não têm um modelo seguro para apressar a travessia. Como vai ser o modelo do jornal digital: Grátis para o leitor, bancado pela propaganda? Bem barato para o leitor e com ajuda da propaganda? Ou precisa ser mais caro para o leitor porque terá pouca ajuda da propaganda? Vai substituir completamente o jornal de papel ou vão coexistir (parte papel, parte digital)? Quanto o leitor está disposto a pagar por uma assinatura digital?
Ninguém ainda tem essas respostas. Nem nos EUA, onde o negócio da imprensa digital está mais avançado e o New York Times comemora sucesso na venda de assinaturas digitais. Mas ainda depende fortemente do mundo de papel, onde está o grande faturamento da empresa.
Lá,  onde se leva a sério os números e eles são mais abertos para a sociedade, vemos mais sinais da diminuição de força do mundo de papel: a propaganda em jornais diminuiu 45%, vários pequenos e médios jornais já fecharam as portas e mais de 20 mil jornalistas foram despedidos nos últimos 5 anos (segundo o Centro Knight para Jornalismo nas Américas).
Quando você vai para o mundo dos livros didáticos, as indicações são diferentes. Diversas universidades e até escolas de ensino médio brasileiras já estão fornecendo tablets para seus alunos –e acabaram com as apostilas e livros didáticos de papel. As planilhas de custos, dessa vez, deram vitória para a tecnologia. O que é mais moderno, além de abrir novas formas de pesquisa via internet para os alunos, também é mais econômico. O modelo fechou.
No mundo do aluguel de filmes, lá nos EUA, outro sinal claro: a Netflix, maior locadora de DVDs (enviados e devolvidos por um bom sistema de correios) e filmes digitais, resolveu aumentar bastante o custo do aluguel de DVDs -para forçar seus assinantes a optarem pelo modelo só digital, de filmes baixados via internet. Um claro sinal de que, nesse mundinho dos filmes, o caminho digital é o melhor negócio.
E assim vamos, uma área de negócios de cada vez, fazendo nossa travessia mais rápida ou mais lenta para o mundo digital. O Brasil passou a ser o terceiro país do mundo em venda de computadores (só atrás de China e EUA). Baixou impostos para baixar os preços dos tablets. Falta resolver agora o gargalo das bandas largas, para que todo esse pessoal tenha acesso à internet com qualidade a preços razoáveis. Para acelerar mais –ou não- nossa passagem para o tal do mundo digital.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

30- A IMPRENSA DIGITAL, DO FUTURO, ESTÁ RECRUTANDO VOCÊ.

Toda vez que escreve alguma coisa na internet, você está treinando -embora sem saber- para participar da imprensa digital que vem por aí. E o pior é que os donos de jornais, os editores, também não sabem que você está sendo treinado para trabalhar com eles. Porque quem está treinando você para esta nova função não são eles -é a própria internet.

Não estou sendo claro? Pois é, todo mundo já sacou que a imprensa de papel, que a gente estava acostumado, anda em decadência –mais rápido num país que em outros, mas todos seguem esta tendência. Embora a maioria dos jornais e revistas, no mundo inteiro, queiram empurrar este problema com a barriga até onde puderem.

Tenho falado isso aqui, mas se você não acredita, veja o que diz o Rosental Calmon Alves, jornalista brasileiro respeitado, professor da Universidade do Texas e criador do Centro Knight para Jornalismo nas Américas, em recente entrevista ao Estadão:
... Segundo ele, essa é uma nova realidade que as grandes empresas de mídia precisam aceitar. "Hoje a comunicação não é mais vertical, unidirecional, com a internet ela passou a não ter limites. Outra diferença é que a audiência não é mais passiva, não se trata mais de um monólogo, é preciso haver um constante troca de informações entre os leitores e o jornal", explicou.
Ele citou como sinal de alerta os problemas enfrentados pelas empresas do setor nos Estados Unidos. "A quantidade de publicidade nos jornais norte-americanos diminuiu 45%. Nos últimos cinco anos, mais de 21 mil jornalistas foram demitidos."
Falou, Rosental. Agora vou dar a palavra para um amigo muito íntimo, o publicitário brasileiro Christian Haas, Diretor de Criação Associado da Goodby Silvertein, eleito pela revista Creativity um das 50 pessoas que mais influenciam a cultura da criatividade nos EUA, em recente palestra em Cannes:
“Digital publishing is the Viagra of the magazine industry. It gives newfound hopes to an ailing media, it has everyone excited about it but no one really knows how long the erection will last (they say more than 4 hours, call a doctor).”
Como bom publicitário, o Christian é mais contundente. Mas, como as poucas pessoas que enxergam um pouco mais o futuro do que os dirigentes de revistas e jornais de hoje, também concorda com a mesma coisa: a imprensa do futuro vai ser diferente.
O que acontece hoje? Jornais e revistas estão deslumbrados com as possibilidades da mídia digital e estão transportando para cá suas peças feitas para o papel -e acrescentando efeitos especiais em seus artigos: sons, vídeos, gráficos em movimento, índices e matérias que se movimentam quando tocados, e outros truques digitais.
Parecem crianças com um novo brinquedo, me lembra o começo do flash na internet, quando os sites queriam mostrar todas as possibilidades ao mesmo tempo na sua home –e o resultado era um foguetório sem sentido. Ainda bem que passou rápido.
Ninguém ainda encarou o principal. Ninguém se perguntou como deve ser um jornal ou uma revista feitos especialmente para a internet -um meio baseado na participação das pessoas, na interação de meios, sem limitação de tempo e espaço, sem a rigidez dos prazos, sem limite nenhum.
Também não se preocuparam em ver como as pessoas lêem um jornal ou revista (ou vários jornais e revistas ao mesmo tempo) num iPad ou em outros aparelhos móveis. Como mudaram seus hábitos, quais são suas preferências. O que ele espera de seu jornal preferido.
No dia em que eles conseguirem abrir a cabeça e entrarem em sintonia com o que a internet realmente é, aí vão entender que ela tem vida própria e  regras de comportamento que devem ser entendidas, se é que você quer viver aqui e fazer sucesso. Em harmonia com o meio, respeitando as pessoas que freqüentam o pedaço. Dando espaço para elas participarem do projeto, trocando informações e debatendo com os próprios jornalistas profissionais.
Aí vão convocar você para participar de verdade. E vão agradecer o treinamento que você está recebendo hoje –que ensinou você a participar ativamente de um meio, onde você aprendeu a se manifestar por escrito, com som, com vídeo, com toda liberdade. Continue treinando.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

29- PARA QUE COMPRAR UM LIVRO, SE VOCÊ PODE ALUGAR NO SEU iPAD OU COMPUTADOR?

Outro dia estava no lançamento do livro de um amigo de escola, o Marcos Campomar                            (MARKETING DE VERDADE, editora Gente, leiam que é bom). Conversava com a editora dele, a Alessandra Gelman- sobre o futuro dos livros. O futuro das editoras.

Aí falei para ela: Vocês precisam começar a pensar em novos caminhos, usando as novas tecnologias. Porque as pessoas não podem, por exemplo, alugar um livro, em vez de comprar? Não tem o pay per view para filmes? Porque não pode ter o pay per read para livros?

Ela achou gozada a idéia, mas faz todo sentido, não faz? Você compra um monte de livros que lê e empilha em casa. Poucos você realmente gostaria de guardar na sua biblioteca –para reler um dia, emprestar para os amigos, ou só para ter estocado. E você poder olhar para eles ali, à sua disposição.

Mas como não tem jeito, acaba ficando com todos, não tem nem espaço para tanto. Vira e mexe sua mulher diz –dá esses livros, não tem mais onde guardar. Imagino como é para quem lê para valer, muito mais do que eu.

Aí chegaram os livros digitais. Êba. Os livros ficaram mais baratos (fora do Brasil, que ainda está na idade do papel lascado) e mais fáceis de comprar e arquivar. (Sem falar nos ganhos ambientais: menos árvores sendo derrubadas, menos poluição da indústria, menos lixo, etc.) Mas você vai continuar guardando no seu Kindle ou iPad todos os livros que compra para sempre? Daqui a pouco você vai ter no leitor digital o mesmo problema que tem na vida real –falta espaço para guardar tanto livro. O pay per read volta a fazer sentido, não é?

Minha surpresa é que, lendo a revista Wired hoje, descobri que o pay per read já existe. Tem um artigo (http://www.wired.com/geekdad/2011/06/me-and-my-ipad-readin-machines/) dum James Floyd Kelly onde ele fala que, já que escreve sobre tecnologia, tem que ler muito livros para estar sempre muito bem informado. E são livros caros, todos acima de US$ 40,00. A solução que ele encontrou foi assinar a safaribooks.com, que dá acesso a mais de 13 mil livros de tecnologia das melhores editoras.

Fui lá. A safari é especializada em livros profissionais, na área de tecnologia, criatividade e administração. E funciona com assinaturas individuais mensais, a partir de US$ 23,00. Você lê os livros online. E pode até comprar depois (digital ou em papel) se gostou tanto que quer guardar. Fornece também artigos técnicos e vídeos de treinamento para seus assinantes. Também tem um esquema especial para grupos ou empresas.

Não é um pay per read autêntico mas é um biblioteca nas nuvens, que você assina e usa. Por enquanto, só para livros profissionais.

Mas eu enxergo assim: a Cultura e a Saraiva (ou a editora da Alessandra) alugam livros (US$ 0,99 por filme no iTunes, quanto por um livro?). Você lê online ou baixa, para levar numa viagem. Só precisa alguém resolver o seguinte problema tecnológico. Hoje você aluga e baixa um filme no iPad ou no computador. Quando você assiste pela primeira vez, ele fica à sua disposição por 24 horas –depois ele se autodestrói, como nos filmes de Missão Impossível. Como fazer com um livro -que você não lê todo de uma vez?


(É claro que existem as bibliotecas públicas na internet, onde você pode pesquisar livros e documentos -em algumas até imprimir umas folhas. Mas não têm os livros da hora.)



quarta-feira, 18 de maio de 2011

28- PELA PRIMEIRA VEZ, FILMES PAGOS SUPERAM A PIRATARIA NA INTERNET. POR CAUSA DOS PREÇOS JUSTOS.

Como é que é no Brasil? Pirataria: chama a polícia. Prende, pega o coitado que vende filmes na esquina a R$ 3,00 com qualidade duvidosa, mostra na TV tratores quebrando CDs e DVDs. Ninguém discute a causa desta indústria clandestina –os preços altos dos serviços legais. Ninguém pergunta, também, quanto custa toda essa repressão.

Como é que está acontecendo nos EUA: serviços eficientes, como o Netflix, cobram US$ 8,00 por mês de cada assinante -que passa a ter o direito de assistir quantos filmes quiser, com ótima qualidade, na hora que escolher. Com este preço, convenhamos, não vale a pena arriscar na qualidade do vendedor de DVD da esquina. Nem mesmo esperar algumas horas pelo download grátis de um Torrent, não é mesmo?

Informações divulgadas ontem nos EUA (revista Wired ou caderno TEC do Estadão, para quem quiser mais detalhes) mostram que, pela primeira vez, o volume de tráfego de dados da Netflix bateu todos os outros serviços de internet –inclusive os chamados peer to peer (P2P), onde acontecem as trocas de conteúdos grátis, a chamada pirataria.

Alguns dados: o entretenimento por streaming (vídeos e músicas) é responsável por metade do tráfego de dados da internet nos EUA. Só que o volume dos P2P (onde acontece a troca de conteúdo grátis, que chamam de pirataria) dominava o pedaço. Agora, o volume da Netflix é campeão, com 30% à frente do You Tube e dos Torrents (P2P).

Isto significa que, talvez pela primeira vez na história da internet, o maior volume de tráfego é de conteúdo pago.

Parece que Holywood achou o caminho. Assim como a indústria de música está se desenvolvendo nos iTunes da vida –cada música vendida para download a US$ 0,99. Os livros também encontraram a forma de se desenvolver online  –livros digitais já vendem mais que livros de papel. Só falta revistas e jornais construirem seu pacto com o consumidor –achar um preço que pareça justo para os dois lados.

Então veja: empresas modernas, conteúdos de qualidade, formatos inteligentes e fáceis de acessar, preços decentes, parecem ser a fórmula para esta nova internet, que não vive só de conteúdo grátis. (Aliás está cheia de conteúdos grátis que ninguém acessa.) É preciso repensar negócios, rever preços. Quando tudo funciona direitinho, dá certo. As pessoas aceitam pagar por um serviço ou conteúdo de qualidade que não quer explorar você.

Enquanto isso, no Brasil, ficamos só assistindo. O governo, em vez de ativar a repressão, deveria diminuir os impostos destes serviços. Sairia mais barato e seria mais efetivo, na luta contra a pirataria.

Temos uma das piores e mais caras bandas largas do pedaço. TV a cabo que a maioria não consegue pagar. Aluguéis de filmes (velhos) com valores altos. Livros digitais pelo preço dos livros de papel. Compra de música segue o mesmo roteiro. Jornais e revistas empurrando o problema com a barriga, tentando aumentar a sobrevida dos negócios tradicionais, baseados no papel.

A Netflix, dizem os jornais, está chegando ao Brasil.  Será que vamos ter que esperar a chegada de quem deu certo lá fora para nos ensinar como lidar, com respeito, com o consumidor brasileiro?



quinta-feira, 28 de abril de 2011

27- A NOVA GERAÇÃO DE LIVROS DIGITAIS.

Não preciso falar muito para você entender todas as possibilidades dos livros digitais. Basta assistir este vídeo curtinho abaixo. Depois imagine que tudo isso também é possível numa revista, num folheto, num anúncio, num jornal. Seja bem-vindo ao mundo digital.


terça-feira, 26 de abril de 2011

26- FOLHA X ESTADÃO NO iPAD. QUEM É QUE GANHA?

No mundo real é assim: você vai até a banca da esquina e compra seu jornal preferido. (Ou faz uma assinatura e eles te entregam em casa.) Você escolhe um jornal, lê apenas um jornal que te deixa em dia com tudo que está acontecendo. E parecia suficiente.

No mundo digital você tem acesso a todos os jornais, do mundo inteiro, com um clique. E ler um jornal só, agora parece pouco. Vamos ver o que o Estadão diz sobre este assunto. E O Globo? A visão americana do NYT? E o Le Monde? Como você vê,  o mundo online com certeza enriqueceu seu acesso à informação.

Mas com tanta oferta de notícias a toda hora, o que você vai ler? Primeiro seu jornal preferido, o mesmo que você comprava na banca da esquina. Que fala da sua cidade, do seu país, e depois do mundo. Aí então você completa a informação do dia com uma passada de olhos pelos outros jornais, não é mesmo?

Então, conteúdo é fundamental. Tanto na banca da esquina como no iPad. Você escolhe um jornal de papel pela qualidade da informação, pelas opiniões que mais parecem com as suas. Porque graficamente todos são do mesmo tamanho, são visualmente parecidos. No computador também, todos seguem o mesmo modelo de site. Mas no iPad, nossos jornais locais começaram a ficar diferentes.

Tem um modelo que está consagrado na maioria dos jornais do mundo inteiro, e que tem razão de ser. Ele baixa rapidamente a marca do jornal, com um índice do conteúdo –tudo organizadinho, separado por seções. Isso dura uns 20 segundos. Você clica no título da notícia que quer ler e ela baixa rapidinho também, com foto e tudo.

É simples, fácil e rápido de usar. Aí cada jornal personaliza sua apresentação com um layout mais limpo ou mais poluído, com mais fotos ou menos fotos e pronto. Mas é um formato onde você fica com a sensação de que ali tem tudo que aconteceu no dia. É o formato usado pela Folha.

Tem um outro formato que as revistas usavam e que, desde que o  The Daily (o primeiro jornal criado especialmente para iPad) começou a usar, outros seguiram –como o Estadão. Ele baixa o conteúdo inteiro no seu tablet para você ler à vontade, mesmo estando offline, como eles dizem.

Isso demora uns 10 minutos e ainda ocupa a memória do iPad (memória não é o forte do iPad). Tudo bem numa revista semanal ou mensal, que você baixa tudo e depois vai lendo aos poucos. (De vez em quando você deleta o Aplicativo com os números antigos, para esvaziar a memória, aí baixa o App outra vez e começa tudo de novo. Os Apps deviam vir de fábrica com uma opção para deletar os números antigos). Mas não é o mais indicado para um jornal diário –que geralmente você lê de uma vez.

Este formato também tem a cara de uma revista, é lógico, e não de um jornal como a gente está acostumado. Pode até ser bonito graficamente, com grandes fotos, grandes espaços para o texto, para os anúncios. Mas passa a sensação de que você tem menos informação para ler, que não te contaram tudo que aconteceu no dia. Não preenche, sabe como é?

Por isso, desculpe Estadão. Desde que vocês lançaram este novo formato prefiro ler o jornal no velho formato Edição Impressa – que mostra a foto do jornal de papel que está na banca. Demora os mesmos quase 10 minutos para baixar, mas dá a impressão de que fiquei melhor informado quando acabei de ler. Cai com bastante freqüência, você tem que começar tudo de novo. Mas, graças a Deus, agora tem um índice que te leva para a página em que você estava, quando a leitura foi interrompida.

Se a maioria dos assinantes também estiver escolhendo esta versão antiga, não é porque eles são reacionários, nem porque ela é a melhor. Mas sim porque a versão Tablet não está funcionando como vocês esperavam. Ou eu sou o único que está preferindo esta versão mais antiga do Estadão?

Resultado do jogo, até agora,  para a satisfação do leitor: Folha 1 X Estadão 0. Isso sem falar que a Folha ainda é grátis no iPad e o Estadão cobra R$ 29,99 por mês. Vamos esperar o segundo tempo para ver como é que fica.




domingo, 17 de abril de 2011

25- MAIS RÁPIDO DO QUE SE ESPERAVA: LIVRO DIGITAL VENDE MAIS QUE LIVRO DE PAPEL.

As mudanças nos hábitos das pessoas mudam tão rápido quanto as mudanças tecnológicas? É o que parece acontecer, cada vez com mais freqüência. Fim do ano passado a Amazon anunciou que estava vendendo mais livro digital que de papel. Tudo bem, afinal eles foram os primeiros a lançar um leitor digital, o kindle- e passaram a treinar as pessoas para o novo tipo de leitura. Venderam milhões de maquininhas, com preço bom, estão colhendo o resultado.

Mas agora é geral: no mercado americano de livros, a versão digital pela primeira vez disparou na frente, se tornou a categoria mais vendida da indústria editorial americana. Isso significou, em fevereiro, vendas de US$ 90,3 milhões (com crescimento de 202% sobre o mês anterior). Contra os livros de papel, que venderam US$ 81,2 milhões.

Ainda acho mais gostoso ler um livro tradicional. Pegar, folhear, marcar a página. Deixar na cabeceira para ler depois. Também tem gente que gosta do cheiro- do papel e da cola. Tenho um amigo, o Oto, que me levava na hora do almoço para visitar livrarias. Adorava a Livraria Francesa, lá no centrão, onde os livros importados tinham um cheirinho especial.

Mas o que deve estar mudando tão rapidamente o hábito de ler é a praticidade- poder carregar, numa viagem, uma biblioteca inteira na bolsa. Poder comprar livros instantaneamente, na hora que dá vontade de ler, com um clique. Poder comprar livros estrangeiros facilmente. E tudo isso com bons preços. (Melhores mesmo lá fora que no Brasil, onde os livros digitais ainda são vendidos pelo mesmo preço dos livros de papel. O que é um absurdo.)

E isso também nos leva a outra coisa interessante que está acontecendo: os livros que só nascem digitais. Um caso bem típico deste novo fenômeno é o de Amanda Hocking, escritora americana que, aos 26 anos, já publicou nove livros só digitais –e já vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Por preços que vão de US$ 0,99 a US$ 2,99 cada exemplar, e onde o autor fica com 70% do total arrecadado. Ficou rica, ficou famosa.

Aconteceu assim: Amanda escreve livros juvenis com temática paranormal –o que é a nova moda, depois dos Harry Potter e dos vampiros bonzinhos. Tentou se vender para várias editoras, sem sucesso. Aí começou a publicar livros digitais (tem vários sites onde você publica o que quer, para ser vendido ou distribuído grátis). E veio o sucesso. Agora Amanda, famosa e rica, está assinando com uma grande editora tradicional, por US$ 2 milhões. Só porque ela está cansada de escrever, divulgar, fazer RP, tudo sozinha.

Este é um ótimo caminho para quem quer começar a vida de escritor sem depender do esquema das editoras, que pagam muito menos para o autor. E podem não gostar do que você escreve. Ou até para autores já famosos, como o Paulo Coelho que entregou a venda dos seus livros, em formato digital, para a Amazon (para ganhar mais, é claro).

A história dos livros digitais está tão séria quem tem várias empresas de software buscando uma solução digital para a dedicatória e o autógrafo do autor no livro. Como, numa sessão de autógrafos, ele pode assinar um livro digital?

Tem gente que resolve isso tirando uma foto com o escritor e publicando em seu site ou facebook –uma prova viva de que tem intimidade com o cara famoso. Tem gente que já pensa em download do livro com uma página a mais em branco, só para isso. Porque viabilizar uma assinatura digital significa que o escritor pode até fazer uma sessão de autógrafos online. Assinando livros de seus fãs que podem estar espalhados pelo mundo. Bem típico do mundo digital, não acha?



domingo, 10 de abril de 2011

24- PROPAGANDA COMO O iPAD GOSTA: PARTICIPATIVA, INTERATIVA.

Parece óbvio dizer que uma peça de propaganda para os tablets deveria usar as possibilidades de interação que eles têm. Mas não é o que está acontecendo no dia a dia. Quem tem usado o iPad para ler jornais e revistas digitais vê que a grande maioria se resume a reproduzir as peças da mídia impressa, como se estivesse imprimindo o anúncio em papel. Do mesmo jeito que a maioria dos veículos também está fazendo ainda, nos tablets, uma reprodução fotográfica do que fazem no mundo do papel.

Vai demorar um tempo para jornalistas e publicitários se acostumarem com a nova tecnologia e começarem a tirar proveito total destas novas possibilidades. Primeira coisa a fazer é todos os envolvidos passarem a conviver com um tablet. A gente tem a impressão de que quem faz as versões digitais da maioria dos jornais e revistas não entende bem do que se trata, não deve ter um tablet na mão para testar seu próprio trabalho.

Os publicitários também. Devem continuar com aquela visão antiga de que redator e diretor de arte cuidam dos anúncios impressos. E o departamento digital (aqueles garotos que entendem de tudo sobre tecnologia) é que cuida do que é online.

Na verdade uma idéia é uma idéia. Não importa em que mídia ela vai ser mostrada para o consumidor. Criadores têm idéias e depois contratam quem vai executar –o fotógrafo, a produtora de cinema, ou a produtora de peças digitais. Simples assim. Só que os criadores de hoje têm que ter uma visão geral das possibilidades de cada mídia para adaptar sua idéia a cada uma delas. E saber o que pedir para quem vai executar.

No cenário de hoje, quem usa as possibilidades dos tablets acaba se sobressaindo, seus anúncios chamam a atenção. Vou dar o exemplo de duas peças que vi nos últimos dias e chamaram a minha atenção –por usarem estas inovações.

A primeira é da Ralph Lauren. Cheguei num anúncio do New York Times que prometia uma nova experiência em comprar roupas. Cliquei. Caí na loja de aplicativos da Apple. Um App da RL pedia para ser baixado grátis. Baixei. Quando abri, uma música suave, uma mulher em fundo branco, vestida de Lauren. Clique aqui para continuar. Cliquei. Uma mulher bonita aparece girando na ponta dos pés com vestido RL. Música gostosa e suave ao fundo. Imagem belíssima em câmera lenta. Você assopra no microfone do iPad e a imagem gira mais rápido.

Num outro botão, outra mulher (tudo em câmera lenta) gira no ar em branco e preto. Você é convidado a passar o dedo pela imagem que vai ficando colorida onde você tocou. Noutro botão, um homem musculoso gira no ar, lembrando a capoeira. Conforme você toca na imagem ele vai mudando de roupa. Noutro botão, mulher gira no ar, você toca e vai ficando marcada imagem de quando você tocou e a mulher continua a girar. Você vai tocando e deixando imagens fantasmas no ar.

Tudo muito bonito, de bom gosto, câmera lenta, cada botão mostrando uma roupa diferente, explorando todas as interações possíveis num iPad. Uma brincadeira, uma forma de se relacionar de forma diferente com aquela marca. Depois você aperta o botão Shop e a mágica acaba –aparecem os preços altos de todas as roupas mostradas de forma tão gostosa. (Só dá para assistir ao vivo se você tiver um iPad, acessar a App Store e baixar o aplicativo.)

O outro exemplo é mais simples, mas criativo. Você está folheando um jornal alemão (o Die Weltz) e aparece uma pessoa em cena de tortura, sozinha na página. Você tenta mudar a página, ela se recusa. Depois que você tenta algumas vezes, aparece um letreiro: A tortura só desaparece quando alguém está fazendo alguma coisa a respeito (Torture diseppears only when one is doing something about it). Você clica no letreiro e cai no site da Anistia Internacional. Veja abaixo.

Faça alguma coisa. Participe, interaja.






23- VOCÊ JÁ CONHECE A SILICON ART?

A gente já viu arte digital nas mais variadas formas. Artistas que usam as possibilidades da tecnologia para fazer arte. Para fazer coisas que sem a tecnologia não seriam possíveis. Ou até mesmo usam o computador ou o iPad para repetir o  ritual da arte tradicional –pintando quadros do mesmo jeito que fazem no mundo real: uma tela no fundo e tinta em cima.

Mas eu não tinha ouvido falar em arte escondida nas peças dos computadores. Pois uma empresa chamada Chipworks, que examina chips, aquelas peças pequeninas dentro dos computadores, descobriu desenhos escondidos ali –coisa que só se consegue ver com microscópios que aumentam a imagem de 200 a 500 vezes.

São desenhos simples, que lembram grafites de rua –já que eles têm uma superfície bem pequenina mesmo para se expressar. Assim mesmo, estes engenheiros que trabalharam naqueles chips encontraram esta forma de personalizar as peças que criaram ou desenvolveram, gravando ali uma espécie de assinatura. Lembra aquelas assinaturas dos grafiteiros, não é?

Reproduzo abaixo algumas amostras deste novo tipo de arte recém descoberta. Quem quiser saber mais, tem uma matéria na revista Wired, na internet. 

Ou então visite o que é uma espécie de exposição da chamada Silicon Art, no próprio site da Chipworks. Para os mais curiosos, eles até explicam a técnica que os artistas usam para desenhar nesse espaço reduzido, em superfícies de metal. Vá em http://www.chipworks.com/en/newsroom/media-resources/silicon-art-library . 

Quem diria que engenheiro também produz arte.