segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

48- COMMUNICATION THINKING ACONTECE NO MUNDO VIRTUAL. DENTRO DA NOSSA CABEÇA.

Lembra da época em que a indústria automobilística tinha que construir um protótipo para testar um carro novo? Eles faziam um carro de verdade, do jeitinho que ele ia ser, para passar no túnel de vento e cumprir todos os outros testes que iam provar que o design era aerodinâmico, que o carro era seguro, e assim por diante. Hoje existem softwares que fazem a mesma coisa. Os designers criam um carro virtual, que passa por todos os testes de verdade. Só que no computador. Ficou mais rápido, mais barato e até mais seguro criar e lançar um carro novo.
Os arquitetos fazem a mesma coisa para testar seus prédios, principalmente estes prédios modernos, que usam materiais especiais. Vem logo à cabeça da gente estes prédios diferentes, que são construidos para serem marcos arquitetônicos no visual de uma cidade -como parte de seu projeto de comunicação com seus habitantes e com o mundo. Viram pontos turísticos que rejuvenescem a imagem das cidades.
Pense no Guggenheim de Bilbao. Não é só um museu, é a nova cara da cidade. Ele foi criado pelo arquiteto canadense/americano, Frank Gehry, um dos mais afinados com as novas tecnologias. O prédio é todo coberto por superficies de titânio curvadas, que lembram escamas de peixe, porque Gehry gosta de lembrar formas orgânicas nos seus trabalhos.

Para executar obras como esta, ele precisou criar um software especial, porque os que existiam para arquitetura não conseguiam trabalhar com estes novos materiais. Foi procurar a Dassault, fábrica de aviões, e fez parceria com eles para criar um software que pudesse trabalhar formas curvas e aerodinâmicas, usando metais, como a Dassault faz com os aviões. Belo resultado, não é?
Pois bem, para praticar Communication Thinking é a mesma coisa. Só que o mundo virtual não está no computador, está na nossa cabeça. Na nossa imaginação. E o software é nossa experiência em lidar com comunicação, branding, marketing, e ainda nossa intuição -porque não? Você olha para uma empresa, enxerga os valores que eles escolheram para o DNA do que eles pretendem realizar. E vê como a empresa se comporta com eles.
A maioria das empresas tem lá os chamados Valores e Missão. Onde alguém escreveu coisas que são politicamente corretas. Coisas que estão na moda, só para dizer que estão em dia com o mundo em redor. Mas que ninguém leva em conta no dia a dia da empresa. Não perceberam que os valores das empresas servem, em primeiro lugar, para unificar as pessoas, criar objetivos comuns -para todo mundo saber para que lado que tem que correr. Infelizmente não são criados com esta intenção e acabam virando peças de decoração, emoldurados na recepcão da empresa -para mostrar para as visitas como nós somos legais.
Do mesmo jeito que a natureza faz o DNA da gente, que nos predispõe a várias coisas durante a vida, os valores são o DNA das empresas. E olha que criar estes valores é uma coisa que uma empresa pode fazer com toda liberdade do mundo. É um verdadeiro processo livre de criação: queremos ser isso ou aquilo, ter esses valores, nos relacionar assim com a sociedade, e vai embora. Só é importante saber, antes de tudo, que não adianta nada fazer uma lista de valores nobres, se a empresa não pretende cumprir o que promete. Aí fica pior. É melhor ser mais modesto, mas ser coerente com a cultura da empresa.
Aí você chega lá, olha  e se pergunta: Eles fazem o que dizem, isto é, levam a sério os seus próprios valores? Os valores escolhidos têm a ver com o negócio deles? Realmente representam a cultura da empresa? Os valores ainda “conversam” com os clientes e com o meio onde eles vivem? Conseguiram assim se diferenciar dos concorrentes? Está claro o que eles querem ser quando crescer? E todas as perguntas necessárias para o trabalho que você pretende realizar.
Com a prática a gente aprende a fazer isso rapidinho e começa a descobrir como fazer a empresa ter uma cara diferente. Porque considero que o objetivo final de todo trabalho de comunicação é construir uma imagem de marca forte e diferenciada para nosso cliente. É trabalhar os famosos intangíveis, que podem aumentar e muito o valor do negócio deles. E é disso que eles gostam.
Depois que a nova cara da empresa virtual foi criada pelo nosso trabalho, (fazendo as modificações que a gente deseja, no DNA antigo da empresa) a gente pode até testar este novo modelo no mundo real. Com pesquisas, seminários internos, conversas com os principais clientes. Eles funcionam como nosso túnel de vento, para ver se aquele lindo design tem boa aerodinâmica. Se o virtual vai funcionar bem no mundo real. Onde as coisas realmente acontecem.


4 comentários:

  1. Seu texto me fez pensar o que teria acontecido com a Apple, lançando agora mesmices de si própria. Parece que o único que "pensava diferente" se foi e, com ele, todo um conjunto de valores.
    É isso aí, Raul.

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    1. Aliáa, Blogger no celular é ruim. Nem consegui postar meu nome no comentátio acima. Tive que mentir para ele, aqui, pra mostrar que o comentário tinha dono!

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  2. Boa, Raul!!! Em frente com muito sucesso!!!
    Maria da Graça Congro

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    1. Bemvinda, Graça. Sua opinião é muito importante. Volte sempre.

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