quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

37- PARA LER EM 2012: NO iPAD OU NO PAPEL.


Dei uma palestra no encerramento do MBA de Marketing de Serviços da FIA/USP. Curso muito bem organizado pelo Professor Marcos Campomar. Papo legal, gente legal, um dia depois do lançamento da iTunes no Brasil. Foquei no que a tecnologia tem mudado a indústria de serviços nos últimos anos. Desde casos pré-históricos até hoje.

Por exemplo: trabalhei com a Telesp (a única telefônica de São Paulo, estatal) na época do orelhão todo importante, na era pré-celular. Era o máximo de mobilidade. Tinha que falar com alguém, procurava o orelhão mais próximo, comprava uma fichinha na banca de jornal e pronto. Aí inventamos o pré-pago –as pessoas deviam comprar várias fichas para carregar no bolso. Dá que a banca já está fechada quando você precisa.

Também trabalhei no lançamento de O Site (El Sitio), portal para pessoas que falam português ou espanhol, um pouco antes do estouro da bolha. Falávamos de coisas que estão ainda hoje na moda: atender bem as pessoas, ensinar a lidar com a tecnologia. Abrir espaço para quem tinha o que escrever e não conseguia uma brechinha em outro lugar. Foi um sucesso. Fez um belo IPO em Nova Iorque, meses antes do sonho acabar.

Aí mostrei como nossa vida hoje é diferente e muda toda hora, com cases que discutimos toda hora aqui nesse blog. Graças aos smartphones e tablets, que  aceleraram de vez essas mudanças. E, agora, com a chegada de empresas como a loja da Apple no Brasil.

Quer ver? Outro dia viajei. Baixei no iPad um jornal do dia e um filminho do iTunes. Já tenho livros no iPad e músicas no iPhone. É so decidir o que você quer fazer, nas 4 horas de vôo. Vai um filminho? Notícias do dia? Ou quer ouvir a última da Marisa Monte?

Mas depois de tudo isso disse que, apesar da tecnologia, o mais importante mesmo é o que a gente pensa, cria, planeja, inova, antes mesmo de executar qualquer coisa -na forma tradicional ou na forma digital. Uma empresa é, antes de tudo, um conjunto de valores escolhidos e hierarquizados. É o que a gente chama de Branding ou Construção de Marca. Se essa etapa é bem feita, é muito mais fácil uma empresa fazer sucesso depois.

Importante é aprender a pensar, aprender a sonhar. O resto acontece como consequência. Pense bastante, com detalhes, antes de começar a executar qualquer coisa.

Depois sugeri dois livros para a turma ler em 2012.

O primeiro é a biografia do Steve Jobs, do Walter Isaacson. É muito bom saber os detalhes da vida do cara que foi o grande ícone da nova tecnologia. Mas o livro também é uma aula de como fazer uma empresa ser coerente com os valores que a diferenciam da concorrência. O Steve levou isso às últimas consequências. Criou o sonho de que a Apple ia mudar o mundo e se fixou na frase de um publicitário: think different. A partir daí criou produtos, serviços, lojas, que mudaram a indústria para sempre.



O segundo, é o mais vendido do New York Times: Delivering Happiness, de Tony Hsieh . O cara tem uma loja de sapatos na internet, a Zappos, como existem várias. O que ele pensou: o atendimento das empresas ao consumidor é tão ruim que eu vou focar nisso. Vou ajudar as pessoas,  entregando o melhor call center que pode existir. As pessoas vão gostar da gente. Quando precisarem comprar um sapato, quem sabe se lembram de nós. É sucesso de venda e de público. Tanto o livro como a loja.



Contam que ele estava dando uma palestra e um cara incrédulo ligou para o atendimento dele ali, ao vivo. Disse que estava numa pequena cidade do interior e se podiam ajudá-lo a descobrir uma pizzaria delivery, ali perto: em menos de um minuto passaram para ele vários telefones de pizzarias ao redor.

O que ele diz? Make customer service the entire company, not just a department. Focus on company culture as the #1 priority. Apply research from the science of happiness to running a business. Seek to change the world. Oh, and make money too. (O livro não tem tradução em português, ainda.)

Fica aqui a sugestão para todo mundo. Leiam estes livros em 2012. No iPad ou no papel. Não importa. O importante é a gente entregar felicidade para os outros. O ano inteiro.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

36- O FUTURO DOS JORNAIS EM DISCUSSÃO.


Estão reunidos em São Paulo representantes de jornais do mundo inteiro, no Seminário Internacional de Jornais da INMA –International Newsmedia Marketing Association. Vieram discutir o futuro dos jornais. Dos jornais de papel, é claro, e a sua transição, quem sabe um dia,  para o mundo digital.

O simples fato das pessoas se referirem só à coisa física, de papel, como jornal, já mostra como é a cabeça deles. Este é o jornal (físico) que também tem sua versão online. E essa visão tem muita razão de ser, já que quase todo o faturamento dos jornais vem do mundo dos átomos, do papel. Por enquanto.

Lembro do filme State of Play (Ligações Perigosas, de 2009) onde Russel Crowe faz o papel de um experiente jornalista e Rachel McAdams é a jovem jornalista da versão online do jornal. Os dois se juntam para investigar um caso que envolve Ben Affleck, um deputado amigo do Russel. Lembra?

A jornalista da internet publica tudo rapidinho, conforme recebe a informação. Mas neste caso, não. Numa cena, o velho jornalista agradece que ela não está soltando as notícias, enquanto não chegam ao final do caso complicado. E ela diz alguma coisa assim: essa matéria é muito importante, merece sair primeiro na edição impressa. Na cena do gran finale, ele acaba de escrever a matéria, aperta o botão do computador e as máquinas gigantescas começam a imprimir a matéria de capa com o nome dos dois – ela, orgulhosa, por ter sido promovida para o jornal de papel.



Essa é  realidade do mundo em que vivemos: jornal mesmo é o de papel. Todo mundo sabe que um dia ele vai virar digital de vez. Afinal não vai mais fazer sentido cortar árvores para fazer papel, ter aquelas máquinas gigantescas para imprimir, uma frota de caminhões gastando combustível e criando congestionamento, para o jornal chegar na banca da esquina. Quando você pode, como eu, receber tudo isso instantaneamente no seu iPad ou computador.

Mas, por enquanto, somos minoria e não geramos receita. E o pessoal dos jornais sabe lidar com essa logística cara e complicada, sabe vender anúncios impressos, sabe que tudo isso dificulta a entrada de novos competidores. Então, quanto mais atrasarem essa mudança, melhor para eles.

O que acontece no mundo? Nos países mais desenvolvidos os jornais pararam de crescer, as circulações estão diminuindo. As verbas de propaganda também tendem a cair cada vez mais. Jornais menores fecharam, jornalistas foram demitidos. Nos EUA, onde a mudança parece mais forte, já se tem uma visão clara de que o digital está substituindo o impresso. Então as empresas estão trabalhando sério no mundo dos bits.

Já nos países em desenvolvimento, a circulação dos jornais continua crescendo. Índia e Brasil são bons exemplos desse fenômeno, explicado pelo crescimento da classe média. As verbas de propaganda se mantêm, então tudo bem, nada de tentar um aventura precipitada.

Nestes dois mundos, a principal discussão é se devem ou não começar a cobrar pelo acesso à versão digital. A maioria das tentativas conhecidas não deram certo. Então cuidado, vamos deixar livre e grátis, manter o tráfego alto, divulgar a marca e tentar vender alguns anúncios.  Afinal, as pessoas estão acostumadas a ter acesso à informação grátis na internet. E olha que a competição é grande, do mundo inteiro.

E tem o New York Times que achou o caminho dos bits e conseguiu quase 350 mil assinantes digitais pagantes – o que representa, junto com os anúncios que também vieram, quase 30% do faturamento do grupo (quando não cobrava, o NYT declarou chegar  a ter de 1,5 milhão de leitores digitais). Aqui temos o Estadão, cobrando assinatura digital, mas não sabemos ainda o resultado.

O que pensa gente como eu, leitor digital, sobre o que vem por aí?

Os jornais ainda vivem no mundo dos bits, então reproduzem online o mesmo jornal que imprimem no papel. Estão usando uma nova mídia para reproduzir a velha mídia. Uma edição por dia, apenas um botão de últimas notícias para mostrar o que chegou depois. Alguns vídeos, entrevistas gravadas, para mostrar como sabem ser digitais.

No mundo digital você pode ter várias edições diárias, conforme chegam as novidades. Ainda pode personalizar a primeira página, de acordo com o gosto de cada um. As pessoas vão ser incentivadas a ver seu jornal mais de uma vez por dia. Ele vai ser uma coisa viva, que muda toda hora.

O jornal digital não tem problema de espaço. As matérias e entrevistas podem ser mais profundas. E a mesma entrevista/notícia pode ser escrita, gravada, filmada, com apresentação multimídia. Pode ter uma versão curta e outra maior, para quem quiser aprofundar. Pode ter outras informações anexadas, sobre o mesmo assunto, mesma pessoa. Pode ter links de referência, para quem quiser mesmo aprofundar. Pode até ter cenas ao vivo, que alguém está mandando na hora, até mesmo pelo celular. Conteúdo não vai ser problema, com tantas possibilidades.

Com a cultura do meio antigo, o jornal é meio de comunicação de uma via só: a gente escreve, você lê. Para realmente falar a linguagem do meio, o jornal digital tem que ser mais participativo. Não adianta mais aquela seção de cartas do leitor, lá no canto do jornal. O leitor  precisa de espaço maior, ao lado da matéria ou opinião, para completar, questionar, apoiar. Rapidinho, na hora, sem esperar dia seguinte porque alguém tem que aprovar. As pessoas na internet querem participar. Acho que quem está mais avançado nisso é o The Huffington Post, que foi criado direto para a internet, sem passar pelo papel. Pois o jornal do futuro vai, como o Huffington, misturar trabalho de jornalistas profissionais com as modestas linhas de pessoas como eu ou você. Vai se abrir para a riqueza da diversidade de opiniões.

Aí eles vão querer cobrar dos leitores, que ninguém trabalha de graça. Claro que sou a favor de se pagar por informação de qualidade. Mas aí entra o prestígio, confiança e imagem de marca que cada um construiu nos seus anos de vida. As pessoas vão pagar pelo jornal que confiam, desde que sejam preços de internet e não do jornal de papel. Desconta aí o custo de impressão e distribuição para chegar a um preço justo e digital. E pensem que, com a internet, vocês podem chegar onde a banca não chega, em qualquer lugar do mundo.

Quem não tiver uma marca forte, pode continuar oferecendo de graça e mesmo assim não vai ter muito leitores. Jornais novos têm que montar uma equipe de respeito, para superar a falta de história. Imagem e credibilidade é tudo –tanto no mundo dos átomos como no mundo dos bits.

E aí tem o formato digital, que todo mundo está aprendendo a fazer. Como o meio pede, tem que ser rápido e simples de navegar. Bonito, limpo, fácil para achar as coisas, fácil de participar. Versátil, para ser personalizado. Em suma, não tem que inventar.

(Não entendo jornais diários como o Estadão, que eu gosto de ler, que tem formato de baixar o conteúdo inteiro no iPad, o que demora. Quando a maioria dos grandes jornais baixa rapidamente os índices e, quando você clica, vem rapidamente a matéria.)

Em quanto tempo os jornais vão passar a ser digitais de verdade? Depende destes senhores que estão discutindo o futuro agora. Depende da evolução do negócio digital, em cada país. E depende de gente como eu e você, de como nós estamos abertos para a inovação.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

35- COM O IPAD NA MÃO, VOLTAMOS TODOS A SER BEBÊS.


Vá até o youtube e digite “iPad com bebês”. Aparecem centenas de vídeos com pequenos seres humanos que nem sabem falar,  mas já sabem pilotar um iPad que nem gente grande. Alguns, como dizem os vídeos, na frente de um iPad pela primeira vez.
É uma Impressionante sequência de provas engraçadíssimas de como a tecnologia do toque é instintiva e de fácil aprendizado. E fica claro para qualquer pessoa porque os tablets estão tomando conta do mundo. E tomando o lugar dos computadores.
Colei aqui embaixo dois exemplos bem engraçados. O primeiro é de um bebê que folheia uma revista num iPad. E se diverte com as mudanças de imagens. Depois colocam uma revista de papel na frente dele. E ele tenta, com os dedinhos, virar as páginas, ampliar as imagens. E fica decepcionado porque aquela coisa não funciona.


O segundo é mais sério, no sentido de que pretende ser mais científico. Um francês fazendo experiências com um bebê interagindo com o iPad. Mas também vale a pena ver como eles vão pegando rapidamente, na base de tentativa e erro, o jeito de como fazer aquela coisa funcionar e dar prazer – visual e auditivo. Uma grande diversão.


Olhar estes vídeos pode ser um bom aprendizado para os profissionais de editoras de revistas e jornais, livros, criadores de apps para tablets e outros envolvidos no desenvolvimento de peças para estas novas tecnologias. E que insistem em criar soluções complicadas – o que deve acontecer por causa de suas cabeças de engenheiros.
Pensem assim: com um tablet na mão, voltamos todos a ser bebês. E aí vão surgir as melhores soluções, cada vez mais simples. Que combinam com essa tecnologia que é, por princípio, intuitiva. Você vai tocando e as coisas vão acontecendo, num fluir bem fácil e natural. Se não acontece assim, alguma coisa está errada.

Tudo que envolve os negócios nos tablets tem que ser simples. E de acordo com os princípios da nova tecnologia. Mas, o mais comum, é trazerem para cá os vícios da tecnologia antiga, com soluções que serviam para a dimensão anterior. Isto é, continuamos a ser muito adultos e racionais, tentando fazer coisas que achamos inteligentes. E não aceitando a coisa simples, natural e intuitiva dos bebês. Ainda temos muito que aprender com eles, não é?

sábado, 8 de outubro de 2011

34- THINK DIFFERENT: COM A PALAVRA, STEVE JOBS.


Este blog tem muito a ver com esse cara.  Afinal, todo dia a gente discute aqui conceitos de produtos que sairam da cabeça dele. E que estão mudando o mundo, mudando nossa vida, mudando o  formato dos negócios, mudando a nossa relação com a tecnologia.

Mesmo que a equipe da Apple não mantenha o mesmo pique, não tem mais volta. O século 21 está sendo diferente por causa das coisas que eles criaram. Ou reinventaram. Em cima de alguns conceitos básicos que todo mundo devia seguir.

Como a simplicidade, ligada à acessibilidade – que faz coisas que até uma criança sabe pilotar, instintivamente. O perfeccionismo com forma e conteúdo – tudo muito bonito e elegante, por dentro e por fora, tudo funcionando direitinho. O que faz a gente redefinir que tecnologia boa é a tecnologia que todo mundo gosta e pode usar.

Ainda misturaram hardware e software com conteúdo e canais de distribuição. E revolucionaram os negócios de produção/venda/distribuição de música, livros, filmes, jornais, revistas, educação, e por aí vai. E esta revolução está só começando. Todo dia afeta uma nova atividade que parecia definitiva.

Por tudo isso, não poderia deixar de falar do Steve Jobs aqui, apesar das milhares de homenagens pelo mundo afora. Resolvi selecionar algumas das frases, que foram distribuídas por jornais e revistas. Que podem incentivar mais gente a ser como ele:

- Não há motivo para não se seguir o coração… Nunca deixe de ter fome. Nunca deixe de ser insensato.
- Seu tempo é limitado, então não o desperdice vivendo a vida de outra pessoa. Não se deixe aprisionar pelo dogma – que é viver segundo os resultados dos pensamentos de outras pessoas. Não deixe o barulho da opinião dos outros sufocar sua própria voz interior.
- Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço de evitar a armadilha de achar que você tem algo a perder.
- Você não pode ligar os pontos olhando para a frente, você só pode fazer isso olhando para trás. Então você tem que confiar que os pontos irão se conectar de alguma forma no futuro. Você tem que confiar em algo – seu instinto, destino, vida, karma, seja o que for. Esse modo de encarar as coisas nunca me deixou na mão e fez toda a diferença na minha vida.

Na maioria dos vocabulários das pessoas, design significa superfície. É decoração de interiores. É o tecido da cortina e do sofá. Mas, para mim, nada pode estar mais distante do significado de design. Design é a alma fundamental de uma criação humana que acaba se expressando em sucessivas camadas externas do produto ou do serviço.
- Simples pode ser mais difícil que complexo. Você tem que trabalhar muito para chegar a um pensamento claro e fazer o simples.
- É mais divertido ser um pirata do que se juntar à Marinha.
- Picasso dizia que ‘bons artistas copiam e grandes artistas roubam’. E eu nunca tive vergonha de roubar grandes idéias. Acho que parte do que fez a Macintosh grande foi que as pessoas trabalhando aqui eram músicos e poetas e artistas e zoólogos e historiadores, que por acaso eram também os melhores cientistas de computação do mundo.
- A morte é, provavelmente, a melhor invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Tira o velho do caminho para dar lugar para o novo.

Então, Steve, que venha o novo.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

33- JORNALISMO CIDADÃO: SE A GRANDE MÍDIA NÃO DÁ BOLA PARA O QUE VOCÊ ACHA IMPORTANTE, CRIE SUA PRÓPRIA MÍDIA.


Estou envolvido num projeto que considero importante, já que vai definir como vai ser o Brasil que vamos deixar para os nossos netos: um país moderno, baseado na sustentabilidade, ou um país antigo, destruidor de suas reservas naturais em nome do pequeno benefício imediato.

Estou falando do novo Código Florestal Brasileiro. Resumindo: temos hoje um Código decente, que tem como princípio defender nossas florestas. Mas ele não é respeitado. Resolveram então modernizá-lo. O primeiro tempo deste jogo aconteceu na Câmara dos Deputados, onde um projeto de lei ruim (que retira várias proteções que as florestas já tinham) passou rapidinho e sem debate – e foi aprovado por 80% dos deputados que nem sabiam no que estavam votando. Enquanto isso, pesquisa Datafolha dizia que 80% dos brasileiros eram contra esse projeto de lei, aprovado por eles.


O segundo tempo se desenrola no Senado Federal. Eles podem, também, aprovar o mesmo projeto. Podem fazer modificações. Ou podem até criar um projeto totalmente novo e melhor para o futuro do Brasil.

(Estamos neste momento. O resultado do que sair do Senado volta para a Câmara dos Deputados – que aprova ou rejeita, ou pode até voltar ao projeto ruim que saiu dali. Depois vai para aprovação ou veto da Presidência da República.)

Aí foi criado o Comitê em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, que reúne quase uma centena de organizações da nossa sociedade civil (CNBB, OAB, ABI, CUT, entidades ambientais, etc.), para lutar a favor de um novo Código Florestal que nos dê orgulho de ser brasileiros. E fui convidado para criar a comunicação do movimento.

Como nossa base é a internet (não temos verba para a grande mídia), criamos uma campanha essencialmente participativa e interativa – como gosta a internet. Com o tema geral FLORESTA FAZ A DIFERENÇA, criamos uma série de posters alltype (com o Diretor de Arte Cleuber Alias) e sugerimos que as pessoas se fotografassem com eles, completando o anúncio. Que divulgassem as fotos nas redes sociais com a hashtag #florestafazadiferenca e também nos enviassem para divulgação em nosso site (parceria digital de João Ramirez).


Site no ar, campanha se espalhando pelas redes sociais, abaixo-assinado online, gente participando. Aí chegou a hora da primeira comissão do Senado entrar em ação (CCJ). Precisávamos que o Código Florestal fosse discutido publicamente, para conseguir mais apoio para apoiar/pressionar os senadores. Mas, apesar do assunto ser tão importante para nós, para o futuro do país, a grande mídia não se interessou.

Resolvemos criar nossa própria mídia: um canal de TV na internet, 24 horas no ar por 3 dias, com ambientalistas, cientistas, juristas, discutindo o assunto. O resultado está numa matéria que saiu hoje no Estadão: Vigília virtual pelas florestas reúne 40 milhões de pessoas. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,vigilia-virtual-pelas-florestas-reune-40-milhoes-de-pessoas--,776290,0.htm

O projeto ainda vai passar por mais 3 comissões no Senado. Vamos repetir nossa ação na internet, para acompanhar o trabalho em cada uma delas: um dia antes, discutindo o assunto, e no dia da votação, comentando o que está acontecendo para as pessoas que não estão informadas dos detalhes. O pessoal gostou da experiência.

Também criamos (junto com o Percival Caropreso e o Fernando Meireles, com participação da Gisela Moreau e da Marussia Whately) uma série de vídeos com depoimentos de diversas pessoas famosas, que aderiram espontaneamente ao movimento - que logo começarão a ser exibidos na internet e nas TVs que toparem veicular gratuitamente. Precisamos criar pressão no Senado.

Essa história real, que está acontecendo agora, serve para ilustrar o que chamo de Jornalismo Cidadão, uma ação que acredito que vai acontecer cada vez mais. Primeiro, porque tem assuntos que interessam a grupos de pessoas, mas que não interessam para a grande mídia. Nem para as TVs privadas, nem para as TVs públicas – estas sim, deveriam obrigatoriamente se interessar por este tipo de assunto, mas ainda não existe clareza no Brasil do que significa ou o que deve fazer uma TV pública de verdade.

Segundo, porque a tecnologia cada vez mais desenvolvida de TV na internet torna essa ação cada vez mais acessível. Quem assistiu nossa TV ao vivo na internet, pôde ver entradas ao vivo de Brasília ou até das ruas de São Paulo. Isso foi possível graças a um equipamento leve, que cabe numa mochila (tecnologia israelense) que usa 6 chips 3G comuns, de telefone celular, junta o sinal deles num só, com velocidade de 2GB, e coloca na internet a imagem de uma câmera portátil. Com boa qualidade. Ano que vem este equipamento vai ter menos de um palmo de tamanho, para ser preso na cintura.

Com coisas assim, grupos que quiserem ser ouvidos vão montar suas próprias TVs na internet, a custos baixos. Temporariamente, como estamos fazendo, ou até uma TV pra todo dia. O resultado disso deve ser a segmentação cada vez maior da mídia. Ou pode até mesmo acontecer que as grandes TVs acordem para o fato e ocupem este espaço cidadão, para evitar a concorrência-guerrilha. E não vai demorar muito tempo não.



(Se você está lendo este blog ainda em setembro ou outubro, é brasileiro e se preocupa com o futuro do país, participe da campanha. Divulgue para os amigos. Procure nosso abaixo-assinado online em www.florestafazadiferenca.org.br. Obrigado.)

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

32- MEU COMPUTADOR AGORA É UM IPAD. MEU LABTOP VIROU MÁQUINA DE ESCREVER.

Acredite: um tablet não é um computador sem teclado. É um outro bicho, muito mais evoluído. Uma tela na mão, fácil de usar e carregar para todo lado, e que lê, brincando, tudo que você nem sabia que queria ler. A qualquer hora, em qualquer lugar.

Você lia um jornal todo dia, que comprava na banca da esquina. Com o iPad isso não basta: leio todo dia a FOLHA e o ESTADÃO, se tiver tempo ainda folheio o 247, O GLOBO (principalmente o blog do Noblat), e dou uma passada de olhos no NEW YORK TIMES.

Acho que essa mudança de hábito na leitura de jornais exemplifica muito bem a mudança que os tablets fazem na nossa relação com a tecnologia. É o querer mais, buscar mais, se informar mais. Porque é fácil, rápido, está tudo ali ao alcance de um simples gesto do dedo. E você precisa se controlar para não ficar lendo 20 coisas, uma atrás da outra – como faz nos primeiros dias com o tablet na mão.

(E não estou nem falando dos emails, das redes sociais, dos livros, das fotos com ótima qualidade, dos filmes com imagem fantástica, dos gadgets, dos joguinhos, dos milhares de apps que ficam provocando você todo dia.)

É por isso que as vendas de desktops e notebooks caíram 20% na Europa, no ano passado: os consumidores têm preferido comprar tablets, como o iPad. Os mais atingidos, (segundo pesquisa da Gartner divulgada nesta quarta, 11/08) foram os netbooks (aqueles notebooks pequenos e baratos para viagem) que cairam 53% em relação ao mesmo período do ano passado. A venda de PCs caiu 15,4%.

Uma analista da Gartner disse: “A maioria dos consumidores está contendo gastos em PCs, estendendo os ciclos de vida dos computadores que já têm e comprando outros aparelhos”. Para a empresa, os tablets são responsáveis pela maior parte das vendas – a Apple com 75% do mercado e os aparelhos Android com 20%.

Não deve ser diferente em outros países. Os tablets vieram para mudar o mercado e melhorar a nossa forma de nos relacionarmos com esse mundo digital. Como os europeus da pesquisa, mantenho meu velho labtop (3 anos e meio de uso) em ação – e ele dá conta do recado, já que virou uma máquina de escrever digital, fazendo uma das poucas coisas que ainda ficou mais agradável fazer com ele: escrever textos mais longos.

Se você está pensando em trocar seu labtop ou desktop, pense nessa alternativa. Mantenha seu amigo velho de guerra e se aventure no mundo dos tablets. Aqui tudo é novo, tudo é novidade. E vai ficar melhor ainda.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

31- QUANDO O MUNDO REAL VAI VIRAR DIGITAL?


O mundo digital já está pronto para substituir o mundo real. Isto quer dizer: os jornais e as revistas podiam ser hoje só digitais, os livros também, a locação de filmes podia ser só pela internet, e assim por diante. Mas não é o que acontece, ou vai acontecer tão cedo.
Porque apesar da tecnologia estar pronta para dar esse passo, as empresas ainda não estão. Os modelos de negócios, que até hoje funcionaram tão bem no mundo real, ainda não são seguros quando você passa para o mundo digital.
Veja o mundo dos jornais. A circulação dos exemplares de papel, segundo pesquisa divulgada semana passada, está crescendo no Brasil. E as empresas estão comemorando o resultado –já que ainda não têm um modelo seguro para apressar a travessia. Como vai ser o modelo do jornal digital: Grátis para o leitor, bancado pela propaganda? Bem barato para o leitor e com ajuda da propaganda? Ou precisa ser mais caro para o leitor porque terá pouca ajuda da propaganda? Vai substituir completamente o jornal de papel ou vão coexistir (parte papel, parte digital)? Quanto o leitor está disposto a pagar por uma assinatura digital?
Ninguém ainda tem essas respostas. Nem nos EUA, onde o negócio da imprensa digital está mais avançado e o New York Times comemora sucesso na venda de assinaturas digitais. Mas ainda depende fortemente do mundo de papel, onde está o grande faturamento da empresa.
Lá,  onde se leva a sério os números e eles são mais abertos para a sociedade, vemos mais sinais da diminuição de força do mundo de papel: a propaganda em jornais diminuiu 45%, vários pequenos e médios jornais já fecharam as portas e mais de 20 mil jornalistas foram despedidos nos últimos 5 anos (segundo o Centro Knight para Jornalismo nas Américas).
Quando você vai para o mundo dos livros didáticos, as indicações são diferentes. Diversas universidades e até escolas de ensino médio brasileiras já estão fornecendo tablets para seus alunos –e acabaram com as apostilas e livros didáticos de papel. As planilhas de custos, dessa vez, deram vitória para a tecnologia. O que é mais moderno, além de abrir novas formas de pesquisa via internet para os alunos, também é mais econômico. O modelo fechou.
No mundo do aluguel de filmes, lá nos EUA, outro sinal claro: a Netflix, maior locadora de DVDs (enviados e devolvidos por um bom sistema de correios) e filmes digitais, resolveu aumentar bastante o custo do aluguel de DVDs -para forçar seus assinantes a optarem pelo modelo só digital, de filmes baixados via internet. Um claro sinal de que, nesse mundinho dos filmes, o caminho digital é o melhor negócio.
E assim vamos, uma área de negócios de cada vez, fazendo nossa travessia mais rápida ou mais lenta para o mundo digital. O Brasil passou a ser o terceiro país do mundo em venda de computadores (só atrás de China e EUA). Baixou impostos para baixar os preços dos tablets. Falta resolver agora o gargalo das bandas largas, para que todo esse pessoal tenha acesso à internet com qualidade a preços razoáveis. Para acelerar mais –ou não- nossa passagem para o tal do mundo digital.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

30- A IMPRENSA DIGITAL, DO FUTURO, ESTÁ RECRUTANDO VOCÊ.

Toda vez que escreve alguma coisa na internet, você está treinando -embora sem saber- para participar da imprensa digital que vem por aí. E o pior é que os donos de jornais, os editores, também não sabem que você está sendo treinado para trabalhar com eles. Porque quem está treinando você para esta nova função não são eles -é a própria internet.

Não estou sendo claro? Pois é, todo mundo já sacou que a imprensa de papel, que a gente estava acostumado, anda em decadência –mais rápido num país que em outros, mas todos seguem esta tendência. Embora a maioria dos jornais e revistas, no mundo inteiro, queiram empurrar este problema com a barriga até onde puderem.

Tenho falado isso aqui, mas se você não acredita, veja o que diz o Rosental Calmon Alves, jornalista brasileiro respeitado, professor da Universidade do Texas e criador do Centro Knight para Jornalismo nas Américas, em recente entrevista ao Estadão:
... Segundo ele, essa é uma nova realidade que as grandes empresas de mídia precisam aceitar. "Hoje a comunicação não é mais vertical, unidirecional, com a internet ela passou a não ter limites. Outra diferença é que a audiência não é mais passiva, não se trata mais de um monólogo, é preciso haver um constante troca de informações entre os leitores e o jornal", explicou.
Ele citou como sinal de alerta os problemas enfrentados pelas empresas do setor nos Estados Unidos. "A quantidade de publicidade nos jornais norte-americanos diminuiu 45%. Nos últimos cinco anos, mais de 21 mil jornalistas foram demitidos."
Falou, Rosental. Agora vou dar a palavra para um amigo muito íntimo, o publicitário brasileiro Christian Haas, Diretor de Criação Associado da Goodby Silvertein, eleito pela revista Creativity um das 50 pessoas que mais influenciam a cultura da criatividade nos EUA, em recente palestra em Cannes:
“Digital publishing is the Viagra of the magazine industry. It gives newfound hopes to an ailing media, it has everyone excited about it but no one really knows how long the erection will last (they say more than 4 hours, call a doctor).
Como bom publicitário, o Christian é mais contundente. Mas, como as poucas pessoas que enxergam um pouco mais o futuro do que os dirigentes de revistas e jornais de hoje, também concorda com a mesma coisa: a imprensa do futuro vai ser diferente.
O que acontece hoje? Jornais e revistas estão deslumbrados com as possibilidades da mídia digital e estão transportando para cá suas peças feitas para o papel -e acrescentando efeitos especiais em seus artigos: sons, vídeos, gráficos em movimento, índices e matérias que se movimentam quando tocados, e outros truques digitais.
Parecem crianças com um novo brinquedo, me lembra o começo do flash na internet, quando os sites queriam mostrar todas as possibilidades ao mesmo tempo na sua home –e o resultado era um foguetório sem sentido. Ainda bem que passou rápido.
Ninguém ainda encarou o principal. Ninguém se perguntou como deve ser um jornal ou uma revista feitos especialmente para a internet -um meio baseado na participação das pessoas, na interação de meios, sem limitação de tempo e espaço, sem a rigidez dos prazos, sem limite nenhum.
Também não se preocuparam em ver como as pessoas lêem um jornal ou revista (ou vários jornais e revistas ao mesmo tempo) num iPad ou em outros aparelhos móveis. Como mudaram seus hábitos, quais são suas preferências. O que ele espera de seu jornal preferido.
No dia em que eles conseguirem abrir a cabeça e entrarem em sintonia com o que a internet realmente é, aí vão entender que ela tem vida própria e  regras de comportamento que devem ser entendidas, se é que você quer viver aqui e fazer sucesso. Em harmonia com o meio, respeitando as pessoas que freqüentam o pedaço. Dando espaço para elas participarem do projeto, trocando informações e debatendo com os próprios jornalistas profissionais.
Aí vão convocar você para participar de verdade. E vão agradecer o treinamento que você está recebendo hoje –que ensinou você a participar ativamente de um meio, onde você aprendeu a se manifestar por escrito, com som, com vídeo, com toda liberdade. Continue treinando.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

29- PARA QUE COMPRAR UM LIVRO, SE VOCÊ PODE ALUGAR NO SEU iPAD OU COMPUTADOR?

Outro dia estava no lançamento do livro de um amigo de escola, o Marcos Campomar                            (MARKETING DE VERDADE, editora Gente, leiam que é bom). Conversava com a editora dele, a Alessandra Gelman- sobre o futuro dos livros. O futuro das editoras.

Aí falei para ela: Vocês precisam começar a pensar em novos caminhos, usando as novas tecnologias. Porque as pessoas não podem, por exemplo, alugar um livro, em vez de comprar? Não tem o pay per view para filmes? Porque não pode ter o pay per read para livros?

Ela achou gozada a idéia, mas faz todo sentido, não faz? Você compra um monte de livros que lê e empilha em casa. Poucos você realmente gostaria de guardar na sua biblioteca –para reler um dia, emprestar para os amigos, ou só para ter estocado. E você poder olhar para eles ali, à sua disposição.

Mas como não tem jeito, acaba ficando com todos, não tem nem espaço para tanto. Vira e mexe sua mulher diz –dá esses livros, não tem mais onde guardar. Imagino como é para quem lê para valer, muito mais do que eu.

Aí chegaram os livros digitais. Êba. Os livros ficaram mais baratos (fora do Brasil, que ainda está na idade do papel lascado) e mais fáceis de comprar e arquivar. (Sem falar nos ganhos ambientais: menos árvores sendo derrubadas, menos poluição da indústria, menos lixo, etc.) Mas você vai continuar guardando no seu Kindle ou iPad todos os livros que compra para sempre? Daqui a pouco você vai ter no leitor digital o mesmo problema que tem na vida real –falta espaço para guardar tanto livro. O pay per read volta a fazer sentido, não é?

Minha surpresa é que, lendo a revista Wired hoje, descobri que o pay per read já existe. Tem um artigo (http://www.wired.com/geekdad/2011/06/me-and-my-ipad-readin-machines/) dum James Floyd Kelly onde ele fala que, já que escreve sobre tecnologia, tem que ler muito livros para estar sempre muito bem informado. E são livros caros, todos acima de US$ 40,00. A solução que ele encontrou foi assinar a safaribooks.com, que dá acesso a mais de 13 mil livros de tecnologia das melhores editoras.

Fui lá. A safari é especializada em livros profissionais, na área de tecnologia, criatividade e administração. E funciona com assinaturas individuais mensais, a partir de US$ 23,00. Você lê os livros online. E pode até comprar depois (digital ou em papel) se gostou tanto que quer guardar. Fornece também artigos técnicos e vídeos de treinamento para seus assinantes. Também tem um esquema especial para grupos ou empresas.

Não é um pay per read autêntico mas é um biblioteca nas nuvens, que você assina e usa. Por enquanto, só para livros profissionais.

Mas eu enxergo assim: a Cultura e a Saraiva (ou a editora da Alessandra) alugam livros (US$ 0,99 por filme no iTunes, quanto por um livro?). Você lê online ou baixa, para levar numa viagem. Só precisa alguém resolver o seguinte problema tecnológico. Hoje você aluga e baixa um filme no iPad ou no computador. Quando você assiste pela primeira vez, ele fica à sua disposição por 24 horas –depois ele se autodestrói, como nos filmes de Missão Impossível. Como fazer com um livro -que você não lê todo de uma vez?


(É claro que existem as bibliotecas públicas na internet, onde você pode pesquisar livros e documentos -em algumas até imprimir umas folhas. Mas não têm os livros da hora.)



quarta-feira, 18 de maio de 2011

28- PELA PRIMEIRA VEZ, FILMES PAGOS SUPERAM A PIRATARIA NA INTERNET. POR CAUSA DOS PREÇOS JUSTOS.

Como é que é no Brasil? Pirataria: chama a polícia. Prende, pega o coitado que vende filmes na esquina a R$ 3,00 com qualidade duvidosa, mostra na TV tratores quebrando CDs e DVDs. Ninguém discute a causa desta indústria clandestina –os preços altos dos serviços legais. Ninguém pergunta, também, quanto custa toda essa repressão.

Como é que está acontecendo nos EUA: serviços eficientes, como o Netflix, cobram US$ 8,00 por mês de cada assinante -que passa a ter o direito de assistir quantos filmes quiser, com ótima qualidade, na hora que escolher. Com este preço, convenhamos, não vale a pena arriscar na qualidade do vendedor de DVD da esquina. Nem mesmo esperar algumas horas pelo download grátis de um Torrent, não é mesmo?

Informações divulgadas ontem nos EUA (revista Wired ou caderno TEC do Estadão, para quem quiser mais detalhes) mostram que, pela primeira vez, o volume de tráfego de dados da Netflix bateu todos os outros serviços de internet –inclusive os chamados peer to peer (P2P), onde acontecem as trocas de conteúdos grátis, a chamada pirataria.

Alguns dados: o entretenimento por streaming (vídeos e músicas) é responsável por metade do tráfego de dados da internet nos EUA. Só que o volume dos P2P (onde acontece a troca de conteúdo grátis, que chamam de pirataria) dominava o pedaço. Agora, o volume da Netflix é campeão, com 30% à frente do You Tube e dos Torrents (P2P).

Isto significa que, talvez pela primeira vez na história da internet, o maior volume de tráfego é de conteúdo pago.

Parece que Holywood achou o caminho. Assim como a indústria de música está se desenvolvendo nos iTunes da vida –cada música vendida para download a US$ 0,99. Os livros também encontraram a forma de se desenvolver online  –livros digitais já vendem mais que livros de papel. Só falta revistas e jornais construirem seu pacto com o consumidor –achar um preço que pareça justo para os dois lados.

Então veja: empresas modernas, conteúdos de qualidade, formatos inteligentes e fáceis de acessar, preços decentes, parecem ser a fórmula para esta nova internet, que não vive só de conteúdo grátis. (Aliás está cheia de conteúdos grátis que ninguém acessa.) É preciso repensar negócios, rever preços. Quando tudo funciona direitinho, dá certo. As pessoas aceitam pagar por um serviço ou conteúdo de qualidade que não quer explorar você.

Enquanto isso, no Brasil, ficamos só assistindo. O governo, em vez de ativar a repressão, deveria diminuir os impostos destes serviços. Sairia mais barato e seria mais efetivo, na luta contra a pirataria.

Temos uma das piores e mais caras bandas largas do pedaço. TV a cabo que a maioria não consegue pagar. Aluguéis de filmes (velhos) com valores altos. Livros digitais pelo preço dos livros de papel. Compra de música segue o mesmo roteiro. Jornais e revistas empurrando o problema com a barriga, tentando aumentar a sobrevida dos negócios tradicionais, baseados no papel.

A Netflix, dizem os jornais, está chegando ao Brasil.  Será que vamos ter que esperar a chegada de quem deu certo lá fora para nos ensinar como lidar, com respeito, com o consumidor brasileiro?



quinta-feira, 28 de abril de 2011

27- A NOVA GERAÇÃO DE LIVROS DIGITAIS.

Não preciso falar muito para você entender todas as possibilidades dos livros digitais. Basta assistir este vídeo curtinho abaixo. Depois imagine que tudo isso também é possível numa revista, num folheto, num anúncio, num jornal. Seja bem-vindo ao mundo digital.


terça-feira, 26 de abril de 2011

26- FOLHA X ESTADÃO NO iPAD. QUEM É QUE GANHA?

No mundo real é assim: você vai até a banca da esquina e compra seu jornal preferido. (Ou faz uma assinatura e eles te entregam em casa.) Você escolhe um jornal, lê apenas um jornal que te deixa em dia com tudo que está acontecendo. E parecia suficiente.

No mundo digital você tem acesso a todos os jornais, do mundo inteiro, com um clique. E ler um jornal só, agora parece pouco. Vamos ver o que o Estadão diz sobre este assunto. E O Globo? A visão americana do NYT? E o Le Monde? Como você vê,  o mundo online com certeza enriqueceu seu acesso à informação.

Mas com tanta oferta de notícias a toda hora, o que você vai ler? Primeiro seu jornal preferido, o mesmo que você comprava na banca da esquina. Que fala da sua cidade, do seu país, e depois do mundo. Aí então você completa a informação do dia com uma passada de olhos pelos outros jornais, não é mesmo?

Então, conteúdo é fundamental. Tanto na banca da esquina como no iPad. Você escolhe um jornal de papel pela qualidade da informação, pelas opiniões que mais parecem com as suas. Porque graficamente todos são do mesmo tamanho, são visualmente parecidos. No computador também, todos seguem o mesmo modelo de site. Mas no iPad, nossos jornais locais começaram a ficar diferentes.

Tem um modelo que está consagrado na maioria dos jornais do mundo inteiro, e que tem razão de ser. Ele baixa rapidamente a marca do jornal, com um índice do conteúdo –tudo organizadinho, separado por seções. Isso dura uns 20 segundos. Você clica no título da notícia que quer ler e ela baixa rapidinho também, com foto e tudo.

É simples, fácil e rápido de usar. Aí cada jornal personaliza sua apresentação com um layout mais limpo ou mais poluído, com mais fotos ou menos fotos e pronto. Mas é um formato onde você fica com a sensação de que ali tem tudo que aconteceu no dia. É o formato usado pela Folha.

Tem um outro formato que as revistas usavam e que, desde que o  The Daily (o primeiro jornal criado especialmente para iPad) começou a usar, outros seguiram –como o Estadão. Ele baixa o conteúdo inteiro no seu tablet para você ler à vontade, mesmo estando offline, como eles dizem.

Isso demora uns 10 minutos e ainda ocupa a memória do iPad (memória não é o forte do iPad). Tudo bem numa revista semanal ou mensal, que você baixa tudo e depois vai lendo aos poucos. (De vez em quando você deleta o Aplicativo com os números antigos, para esvaziar a memória, aí baixa o App outra vez e começa tudo de novo. Os Apps deviam vir de fábrica com uma opção para deletar os números antigos). Mas não é o mais indicado para um jornal diário –que geralmente você lê de uma vez.

Este formato também tem a cara de uma revista, é lógico, e não de um jornal como a gente está acostumado. Pode até ser bonito graficamente, com grandes fotos, grandes espaços para o texto, para os anúncios. Mas passa a sensação de que você tem menos informação para ler, que não te contaram tudo que aconteceu no dia. Não preenche, sabe como é?

Por isso, desculpe Estadão. Desde que vocês lançaram este novo formato prefiro ler o jornal no velho formato Edição Impressa – que mostra a foto do jornal de papel que está na banca. Demora os mesmos quase 10 minutos para baixar, mas dá a impressão de que fiquei melhor informado quando acabei de ler. Cai com bastante freqüência, você tem que começar tudo de novo. Mas, graças a Deus, agora tem um índice que te leva para a página em que você estava, quando a leitura foi interrompida.

Se a maioria dos assinantes também estiver escolhendo esta versão antiga, não é porque eles são reacionários, nem porque ela é a melhor. Mas sim porque a versão Tablet não está funcionando como vocês esperavam. Ou eu sou o único que está preferindo esta versão mais antiga do Estadão?

Resultado do jogo, até agora,  para a satisfação do leitor: Folha 1 X Estadão 0. Isso sem falar que a Folha ainda é grátis no iPad e o Estadão cobra R$ 29,99 por mês. Vamos esperar o segundo tempo para ver como é que fica.




domingo, 17 de abril de 2011

25- MAIS RÁPIDO DO QUE SE ESPERAVA: LIVRO DIGITAL VENDE MAIS QUE LIVRO DE PAPEL.

As mudanças nos hábitos das pessoas mudam tão rápido quanto as mudanças tecnológicas? É o que parece acontecer, cada vez com mais freqüência. Fim do ano passado a Amazon anunciou que estava vendendo mais livro digital que de papel. Tudo bem, afinal eles foram os primeiros a lançar um leitor digital, o kindle- e passaram a treinar as pessoas para o novo tipo de leitura. Venderam milhões de maquininhas, com preço bom, estão colhendo o resultado.

Mas agora é geral: no mercado americano de livros, a versão digital pela primeira vez disparou na frente, se tornou a categoria mais vendida da indústria editorial americana. Isso significou, em fevereiro, vendas de US$ 90,3 milhões (com crescimento de 202% sobre o mês anterior). Contra os livros de papel, que venderam US$ 81,2 milhões.

Ainda acho mais gostoso ler um livro tradicional. Pegar, folhear, marcar a página. Deixar na cabeceira para ler depois. Também tem gente que gosta do cheiro- do papel e da cola. Tenho um amigo, o Oto, que me levava na hora do almoço para visitar livrarias. Adorava a Livraria Francesa, lá no centrão, onde os livros importados tinham um cheirinho especial.

Mas o que deve estar mudando tão rapidamente o hábito de ler é a praticidade- poder carregar, numa viagem, uma biblioteca inteira na bolsa. Poder comprar livros instantaneamente, na hora que dá vontade de ler, com um clique. Poder comprar livros estrangeiros facilmente. E tudo isso com bons preços. (Melhores mesmo lá fora que no Brasil, onde os livros digitais ainda são vendidos pelo mesmo preço dos livros de papel. O que é um absurdo.)

E isso também nos leva a outra coisa interessante que está acontecendo: os livros que só nascem digitais. Um caso bem típico deste novo fenômeno é o de Amanda Hocking, escritora americana que, aos 26 anos, já publicou nove livros só digitais –e já vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Por preços que vão de US$ 0,99 a US$ 2,99 cada exemplar, e onde o autor fica com 70% do total arrecadado. Ficou rica, ficou famosa.

Aconteceu assim: Amanda escreve livros juvenis com temática paranormal –o que é a nova moda, depois dos Harry Potter e dos vampiros bonzinhos. Tentou se vender para várias editoras, sem sucesso. Aí começou a publicar livros digitais (tem vários sites onde você publica o que quer, para ser vendido ou distribuído grátis). E veio o sucesso. Agora Amanda, famosa e rica, está assinando com uma grande editora tradicional, por US$ 2 milhões. Só porque ela está cansada de escrever, divulgar, fazer RP, tudo sozinha.

Este é um ótimo caminho para quem quer começar a vida de escritor sem depender do esquema das editoras, que pagam muito menos para o autor. E podem não gostar do que você escreve. Ou até para autores já famosos, como o Paulo Coelho que entregou a venda dos seus livros, em formato digital, para a Amazon (para ganhar mais, é claro).

A história dos livros digitais está tão séria quem tem várias empresas de software buscando uma solução digital para a dedicatória e o autógrafo do autor no livro. Como, numa sessão de autógrafos, ele pode assinar um livro digital?

Tem gente que resolve isso tirando uma foto com o escritor e publicando em seu site ou facebook –uma prova viva de que tem intimidade com o cara famoso. Tem gente que já pensa em download do livro com uma página a mais em branco, só para isso. Porque viabilizar uma assinatura digital significa que o escritor pode até fazer uma sessão de autógrafos online. Assinando livros de seus fãs que podem estar espalhados pelo mundo. Bem típico do mundo digital, não acha?



domingo, 10 de abril de 2011

24- PROPAGANDA COMO O iPAD GOSTA: PARTICIPATIVA, INTERATIVA.

Parece óbvio dizer que uma peça de propaganda para os tablets deveria usar as possibilidades de interação que eles têm. Mas não é o que está acontecendo no dia a dia. Quem tem usado o iPad para ler jornais e revistas digitais vê que a grande maioria se resume a reproduzir as peças da mídia impressa, como se estivesse imprimindo o anúncio em papel. Do mesmo jeito que a maioria dos veículos também está fazendo ainda, nos tablets, uma reprodução fotográfica do que fazem no mundo do papel.

Vai demorar um tempo para jornalistas e publicitários se acostumarem com a nova tecnologia e começarem a tirar proveito total destas novas possibilidades. Primeira coisa a fazer é todos os envolvidos passarem a conviver com um tablet. A gente tem a impressão de que quem faz as versões digitais da maioria dos jornais e revistas não entende bem do que se trata, não deve ter um tablet na mão para testar seu próprio trabalho.

Os publicitários também. Devem continuar com aquela visão antiga de que redator e diretor de arte cuidam dos anúncios impressos. E o departamento digital (aqueles garotos que entendem de tudo sobre tecnologia) é que cuida do que é online.

Na verdade uma idéia é uma idéia. Não importa em que mídia ela vai ser mostrada para o consumidor. Criadores têm idéias e depois contratam quem vai executar –o fotógrafo, a produtora de cinema, ou a produtora de peças digitais. Simples assim. Só que os criadores de hoje têm que ter uma visão geral das possibilidades de cada mídia para adaptar sua idéia a cada uma delas. E saber o que pedir para quem vai executar.

No cenário de hoje, quem usa as possibilidades dos tablets acaba se sobressaindo, seus anúncios chamam a atenção. Vou dar o exemplo de duas peças que vi nos últimos dias e chamaram a minha atenção –por usarem estas inovações.

A primeira é da Ralph Lauren. Cheguei num anúncio do New York Times que prometia uma nova experiência em comprar roupas. Cliquei. Caí na loja de aplicativos da Apple. Um App da RL pedia para ser baixado grátis. Baixei. Quando abri, uma música suave, uma mulher em fundo branco, vestida de Lauren. Clique aqui para continuar. Cliquei. Uma mulher bonita aparece girando na ponta dos pés com vestido RL. Música gostosa e suave ao fundo. Imagem belíssima em câmera lenta. Você assopra no microfone do iPad e a imagem gira mais rápido.

Num outro botão, outra mulher (tudo em câmera lenta) gira no ar em branco e preto. Você é convidado a passar o dedo pela imagem que vai ficando colorida onde você tocou. Noutro botão, um homem musculoso gira no ar, lembrando a capoeira. Conforme você toca na imagem ele vai mudando de roupa. Noutro botão, mulher gira no ar, você toca e vai ficando marcada imagem de quando você tocou e a mulher continua a girar. Você vai tocando e deixando imagens fantasmas no ar.

Tudo muito bonito, de bom gosto, câmera lenta, cada botão mostrando uma roupa diferente, explorando todas as interações possíveis num iPad. Uma brincadeira, uma forma de se relacionar de forma diferente com aquela marca. Depois você aperta o botão Shop e a mágica acaba –aparecem os preços altos de todas as roupas mostradas de forma tão gostosa. (Só dá para assistir ao vivo se você tiver um iPad, acessar a App Store e baixar o aplicativo.)

O outro exemplo é mais simples, mas criativo. Você está folheando um jornal alemão (o Die Weltz) e aparece uma pessoa em cena de tortura, sozinha na página. Você tenta mudar a página, ela se recusa. Depois que você tenta algumas vezes, aparece um letreiro: A tortura só desaparece quando alguém está fazendo alguma coisa a respeito (Torture diseppears only when one is doing something about it). Você clica no letreiro e cai no site da Anistia Internacional. Veja abaixo.

Faça alguma coisa. Participe, interaja.






23- VOCÊ JÁ CONHECE A SILICON ART?

A gente já viu arte digital nas mais variadas formas. Artistas que usam as possibilidades da tecnologia para fazer arte. Para fazer coisas que sem a tecnologia não seriam possíveis. Ou até mesmo usam o computador ou o iPad para repetir o  ritual da arte tradicional –pintando quadros do mesmo jeito que fazem no mundo real: uma tela no fundo e tinta em cima.

Mas eu não tinha ouvido falar em arte escondida nas peças dos computadores. Pois uma empresa chamada Chipworks, que examina chips, aquelas peças pequeninas dentro dos computadores, descobriu desenhos escondidos ali –coisa que só se consegue ver com microscópios que aumentam a imagem de 200 a 500 vezes.

São desenhos simples, que lembram grafites de rua –já que eles têm uma superfície bem pequenina mesmo para se expressar. Assim mesmo, estes engenheiros que trabalharam naqueles chips encontraram esta forma de personalizar as peças que criaram ou desenvolveram, gravando ali uma espécie de assinatura. Lembra aquelas assinaturas dos grafiteiros, não é?

Reproduzo abaixo algumas amostras deste novo tipo de arte recém descoberta. Quem quiser saber mais, tem uma matéria na revista Wired, na internet. 

Ou então visite o que é uma espécie de exposição da chamada Silicon Art, no próprio site da Chipworks. Para os mais curiosos, eles até explicam a técnica que os artistas usam para desenhar nesse espaço reduzido, em superfícies de metal. Vá em http://www.chipworks.com/en/newsroom/media-resources/silicon-art-library

Quem diria que engenheiro também produz arte.





domingo, 3 de abril de 2011

22- QUANTO VOCÊ TOPA PAGAR POR UM JORNAL DIGITAL?

A internet nasceu para democratizar o conhecimento e a troca de informações, certo? Então nada mais democrático do que colocar o mesmo preço em tudo: grátis. Foi assim que as pessoas foram se acostumando com música grátis, filmes grátis, revistas grátis, jornais grátis. Tudo grátis. Para desespero dos produtores de informação.

Depois de uma grande sacudida nos negócios envolvidos, várias brigas na justiça, grandes discussões sobre direitos autorais, as coisas vão se acomodando aos poucos. Empresas, tecnologia e consumidores vão chegando a um acordo.

Música grátis, por exemplo, virou música paga por um preço mais justo -e o iTunes, com a ajuda do iPod, virou a maior loja de músicas do planeta. As gravadoras e músicos aprenderam a viver no novo cenário e o negócio evolui nesse caminho.

(Ainda tem gente que continua buscando o grátis na pirataria, principalmente nos países como o nosso, em que as novas regras ainda não foram absorvidas. Mas ficou a lição: quando o preço é considerado decente, pelo consumidor, diminui bastante a procura de formas de contornar a lei.)

Pois esta semana marcou o começo de mais um capítulo na novela da busca de um novo caminho, no modelo de negócio dos jornais digitais. O New York Times, nos EUA, e o Estadão, aqui em São Paulo, começaram a cobrar acesso de seus leitores às suas versões do jornal na internet e no iPad -por extensão, para os outros tablets que vêm por aí.

Para o NYT não é novidade, ele já tentou cobrar acesso na internet outras vezes e não deu certo, voltou atrás. Agora ele tenta de novo -quando declara ter nada menos que 1 milhão e meio de leitores no iPad (lançado há um ano) e 30 milhões no seu site, com acesso grátis. Números inimagináveis para um jornal brasileiro. Quantos vai perder com o novo pedágio?

(A nova assinatura é complicada: custa US$ 15 ao mês para ter acesso ilimitado ao conteúdo na internet via computadores e celulares, US$ 20 para acessar de computadores e do iPad, US$ 35 de qualquer dispositivo. Mas para não correr muito risco, o NYT deixa liberada a leitura grátis de até 20 artigos por mês. Também libera a leitura para quem vier de indicações das redes sociais Twitter e Facebook, ou através de busca no Google.)

Outra referência de preço no mercado americano é o The Daily, jornal criado pelo mega empresário das comunicações Murdoch, especialmente para o iPad, e que é vendido a US$ 0,99 por semana ou US$ 40 por ano (não estou comparando conteúdos). Não temos informação de quanto está vendendo.

Já no Brasil, não sabemos quantos leitores digitais o Estadão tem. Já cobrava R$ 29,90 ao mês, por acesso ilimitado na internet, mas deixava grande parte das notícias com acesso grátis -e não cobrava nada no iPad. Agora estendeu a assinatura digital na loja do próprio Estadão, por R$ 29,90 ao mês, para o iPad -e vende exemplares avulsos na Appstore (loja da Apple) por US$ 1,99 (em dólar mesmo).

Seu maior competidor, a Folha, também deixa grande parte do conteúdo com acesso grátis na internet (ilimitado só para assinantes do UOL ou da Folha de papel) e continua com a versão para iPad grátis.

Se vai dar certo? Não sei. Não sou a favor da informação grátis para tudo. Afinal, tem empresas e profissionais que escrevem e produzem os jornais. Vivem disso e merecem todo o nosso respeito.  E nós precisamos de qualidade de informação no dia a dia.

Mas sou a favor de preços justos, já que para fazer um jornal digital não é necessário grandes impressoras, toneladas de papel, frota de caminhões para distribuir, gasolina, etc. Jornal digital tem apenas o custo da equipe e da tecnologia, o que é muito mais barato. E isso deveria se refletir no preço que querem cobrar pelos jornais digitais. Se o Estadão custa R$ 3,00 na banca, quanto deveria custar no iPad?

Preço bom é aquele que os consumidores consideram justo. É como fazer um acordo entre quem vende e quem compra. A internet vai buscando seu modelo de negócio na música, nos jornais e revistas, nos livros, nos filmes. Mas, como um meio democrático que é,  sempre com a participação ativa dos consumidores. Que fazem a coisa dar certo ou não. Quanto você topa pagar por um jornal digital? Por uma música? Por um livro digital? Pelo aluguel de um filme?



sexta-feira, 25 de março de 2011

21- ATÉ A PRESIDENTE DILMA USA O iPAD, PRINCIPALMENTE PARA LER.

Deu o que a gente já sabia. Mas tem gente que só acredita quando tem uma pesquisa comprovando. Estudo feita pela Reynolds Journalism Institute, dos EUA, (feito em dezembro de 2010 com usuários de iPad) mostrou que a maioria das pessoas usa o tablet principalmente para se informar. O que significa ler jornais todo dia, revistas, fotos e filmes que vêm com eles. Nada mais natural.

A maioria dos usuários pesquisados são homens, com alto grau de instrução e idade entre 35 e 64 anos. Mais velhos do que eu imaginava e mais velhos do mostram as filas enormes de compradores entusiasmados de iPad. Um bom perfil para buscar publicidade. Pois 85% deles dizem que passam, pelo menos, 30 minutos diários lendo notícias no tablet. Já 49% admitem que passam mais de 1 hora por dia.

Aí estão os números que mostram o que a gente já sabia. Porque a grande virtude do tablet é ser um ótimo leitor: de jornais, revistas, livros, filmes. E ele já se paga por isso. Quem nunca experimentou uma tela destas na mão não pode imaginar como é prático e gostoso. Uma experiência completamente diferente de ler um jornal na tela do desktop ou do notebook. Isso sem nem falar nas possibilidades de interação que o aparelhinho nos traz.

Outra coisa importante que eles falaram: mais da metade de usuários de iPad pesquisados, que também são assinantes de jornais impressos, falam de sua intenção de cancelar a assinatura do jornal de papel. Claro, o iPad dá muito mais opções –você não precisa escolher um jornal para levar para casa. Você pode ler todos que quiser, de qualquer parte do mundo. Por enquanto, quase todos de graça. Então você  passa mais tempo na telinha, lendo muito mais do que na época que assinava apenas um jornal local.

Aqui no Brasil, com certeza é a mesma coisa. Eu estou na faixa etária dos pesquisados e na categoria dos que passam mais de 1 hora por dia lendo jornais: Folha e Estadão quase sempre, às vezes O Globo e o 247 (sugiro para eles escrever 24.7, assim com um ponto, para a gente entender direto que é 24 horas, 7 dias por semana), feito especialmente para iPad. E também o G1, um bom formato com notícias escritas e vídeos dos principais jornais da Globo TV.

Dou uma olhada no NYT (adoro a seção de fotos deles, porque ninguém faz isso no Brasil? São reportagens fotográficas com legendas, nem sempre de assuntos que dão manchete, mas que estão ali porque as fotos são bonitas e grandes), no Le Monde, na BBC (olhava o Times mas eles já começaram a cobrar). Um giro global quando tenho tempo. Se não dá, se tenho que escolher um, vou de Folha –que tem o formato mais rápido e prático.

E chegamos a um ponto importante para os jornais brasileiros: o formato digital é importante para completar essa experiência prazerosa. Os grandes jornais do mundo inteiro adotam o formato Folha (NYT, WSJ, Le Monde, etc). Você baixa rapidamente o índice, com os títulos das matérias. E as matérias só vão sendo baixadas (também rapidamente) quando você clica no titulo do que quer ler. Simples e rápido.

Existe um outro formato usado pelas revistas: você baixa a edição inteira (demora tipo 8 minutos ou mais) para depois ler quando quiser, sem precisar estar online. Tudo bem para revistas semanais (você faz isso só uma vez por semana) ou mensais. Mas tem muito jornal usando este formato no dia a dia.

Lembro de quando o pessoal reclamava que o iPad estava demorando para chegar ao Brasil e alguém publicou que a Apple achava a banda larga brasileira tão ruim que ia desacreditar o produto deles. Não sei se isso era verdade, mas tem razão de ser. Comprei meu iPad nos EUA e usei uma semana lá, antes de voltar para o Brasil. E a diferença é brutal. Tanto no WiFi como em 3G, as coisas baixam lá, no iPad, instantaneamente. Depois cheguei aqui e percebi uma grande diferença –nossas ditas bandas largas não são consideradas realmente largas pelos padrões internacionais -e ainda custam muito mais caro que as bandas largas de verdade.

Os responsáveis pela tecnologia dos grandes jornais brasileiros deviam levar isso em conta. Gosto do Estadão, mas leva 3 a 4 vezes mais tempo para ler. O formato de baixar a foto do jornal de papel é demorado e cai várias vezes enquanto você tenta ler. Aí demora mais tempo ainda para começar tudo de novo.

O formato do 24.7 é de revista (baixa toda a edição), mas ele é uma revista mesmo. Não é um jornal, se a gente definir jornal como um veículo que você lê e está com todas as informações do dia. (Não é isso, mas está começando, quem sabe chega lá. Ou quem sabe resolveram mesmo ser uma revista diária, com temas escolhidos.) O Globo tem um formato demorado de baixar, enquanto o G1 já tem um formato gostoso –e são da mesma empresa.

Acho bom eles pesquisarem melhor o formato que o usuários gostam, porque o que acontece hoje nos EUA, com milhões de iPads vendidos, vai acontecer aqui. Por enquanto nós, usuários de tablets, somos poucos. Mas a tendência é crescer muito o número dos leitores de jornais eletrônicos. A própria Presidenta Dilma declarou que já é leitora de iPad. Não falou o jornal que prefere, mas que lê livros que compra da Amazon –que vende livros digitais mais barato que a Cultura e a Saraiva no Brasil.



domingo, 20 de março de 2011

20- FICÇÃO, PREVISÃO, PROGNÓSTICO, OU REALIDADE PRÓXIMA?

Lembra das grandes lojas de disco (e depois CD) tipo FNAC e Tower Records, onde você passava horas ouvindo e pesquisando músicas? Acabaram. Agora as pessoas compram música nos iTunes da vida e baixam direto no iPod, iPad ou celular. Ouvem onde quiserem e não precisam mais de espaço para guardar os CDs em casa. Olha quanta gente usando fone de ouvido nas ruas, no metrô, nos carros.

Lembra do Blockbuster? Acabou. Agora as pessoas alugam filmes na Netflix, baixam no seu iPad ou notebook, para ver quando quiserem, onde quiserem (até na tela grande de sua TV), sem a tirania dos horários das TVs a cabo. Veja quantas pessoas, dentro do avião, assistindo filmes e séries de TV que carregam mundo afora.

Lembra das grandes livrarias, tipo Barney&Nobles, onde você ficava fuçando e cheirando livros? Acabaram. Agora as pessoas compram seus livros via internet, na Amazon ou mesmo na Barney&Nobles virtual, baixam no seu Kindle (e outros leitores digitais) e carregam sua biblioteca para baixo e para cima dentro da bolsa. Veja as pessoas na sala de espera do aeroporto com seu  kindle ou iPad ligados.

Lembra da banca de jornais e revistas da esquina? Acabou. Agora as pessoas baixam num clique seus jornais e revistas, do mundo inteiro, no tablet -e carregam sua banca particular para todo lado, para lerem até no banheiro.

Você acha que este futuro está muito longe? Então veja fatos e números de 2010, alguns  saindo agora, que mostram esta mudança radical: a Amazon vendeu mais ebooks (livros digitais) que livros de papel; várias escolas por todo o mundo adotaram o iPad para substituir os livros escolares, de papel; a maioria dos americanos disse que se informa mais online do que pelos jornais tradicionais, de papel; pela primeira vez as verbas para propaganda na internet foram maiores do que a verba para a mídia impressa; todos os grandes jornais e revistas do mundo (que já estavam na internet) agora têm sua versão para iPad (que tem 83% do mercado de tablets).

E, ainda, por último: você está lendo esse texto online e não num jornal de papel. Viu como você também já começou a mudar?


quarta-feira, 16 de março de 2011

19- REDES SOCIAIS: O SEU JORNALISMO PESSOAL, CADA VEZ MAIS IMPORTANTE.

É a notícia do que aconteceu com uma pessoa contra a notícia do que aconteceu com todos. É a rede social completando o que a TV e a imprensa mostraram. Veja no Japão: na TV e nos jornais você vê o grande evento –o terremoto e o, ainda mais assustador, tsunami. Um espetáculo de imagens lindas e aterrorizantes.

Mas tem o Paulo, seu amigo, que está lá. E aí entram as tecnologias (twitter, facebook, skype) que vão dar uma mãozinha. -Alguém viu o Paulo depois do Tsunami? Dá para falar com ele?

Você entra no facebook todo dia e vê, minuto a minuto, o que acontece com seus amigos, com seus filhos, com seus parentes. Com pessoas que moram ali, no bairro ao lado, mas que não dá tempo de ver toda hora, ou pessoas que moram do outro lado do mundo. Tanto faz. Aqui todo mundo fica pertinho.

Aqui você fica sabendo tudo que acontece com estas pessoas, através de várias pequenas notas diárias, fotos e comentários que não interessam para o mundo, mas interessam sim (e têm até alto valor emocional) para quem participa desse grupo. É o jornalismo pessoal de cada um de nós, mostrando um pouco da nossa intimidade para as pessoas que a gente gosta.

Para que esta convivência simples, que trata de coisas do dia a dia, vire matéria de utilidade pública, basta um fato grande e traumático como o que acontece hoje no Japão. Ou pode, até, ficar mais importante ainda (do ponto de vista da informação), como no caso da Líbia, em que tudo que se vê foi postado por algum jornalista amador –já que a imprensa não entra lá. Aí, as chamadas redes sociais substituem a grande imprensa e passam a informar o mundo. Para desespero dos ditadores.

A primeira vez que ficou bem claro o papel de jornalismo de utilidade pública das redes sociais foi, se não me engano, na revolta da China. O criador do twitter nunca imaginou este papel revolucionário para o comunicador que ele criou para as pessoas falarem entre si. Nem o pessoal do facebook sequer sonhou que o Egito viveria a chamada Revolução do Facebook.

O limite entre uma coisa e outra é que, no seu grupo, você acredita no que seu amigo fala, já que conhece o cara há 20 anos. Mas quando alguém posta uma notícia da Líbia, ninguém conhece quem escreveu ou fotografou. Como acreditar que é de verdade?

Este é o papel da imprensa, profissionais que vivem para nos informar. Já construíram sua imagem de credibilidade e ninguém precisa checar o que eles dizem. Mas, com o desenvolvimento das tecnologias, cada vez mais o não-profissional vai influir nos meios de comunicação profissionais. Não só nos grandes eventos, como agora, mas no dia a dia. Interagindo, acrescentando, dando seu depoimento pessoal, comentando.

Na futura imprensa digital vai ganhar a guerra quem entender bem (e souber usar melhor) o papel que as pessoas em geral podem desempenhar num veículo de comunicação moderno. Já estamos sendo treinados para isso. A gente é que não sabe.